O presidente do PSD/Açores, Duarte Freitas, considerou «histórico» que um açoriano ocupe o terceiro lugar numa lista de candidatos ao Parlamento Europeu, enquanto a independente Sofia Ribeiro confessou ter recebido o convite com «estupefação».

Sofia Ribeiro ocupa o terceiro lugar da lista com que a coligação PSD/CDS se apresenta às eleições europeias deste ano, a seguir a Paulo Rangel e Fernando Ruas.

Em declarações nesta segunda-feira aos jornalistas em Ponta Delgada, o presidente do PSD/Açores reconheceu que as negociações que envolvem a elaboração de uma lista nacional e de coligação «são sempre difíceis» e que indicou o nome de uma mulher de propósito.

No entanto, considerou que «isso não é um problema» ou «um condicionamento», «antes pelo contrário», foi uma «oportunidade» para indicar uma pessoa de «grande qualidade e grande potencial».

Duarte Freitas diz que «felizmente» o processo de negociação foi «muito, muito bem sucedido», e que está igualmente «muito feliz» por «a nível nacional» o partido ter compreendido o processo de «renovação» e «abertura à sociedade civil» que está a levar a cabo no PSD/Açores e ter visto o nome de Sofia Ribeiro como «um contributo do PSD/Açores com uma pessoa de grande qualidade e grande potencial».

Para o presidente dos sociais-democratas açorianos, este é «um momento histórico», por pela primeira vez um açoriano estar em terceiro lugar numa lista de «um partido grande» ao Parlamento Europeu.

Duarte Freitas, que já foi eurodeputado, considerou Paulo Rangel «uma boa escolha» para encabeçar a lista da coligação, referindo que é «uma grande figura da política portuguesa» e «muito respeitado na Europa», além de ter «pensamento próprio» e um «grande carisma».

«Pode dar grande contributo ao debate público no âmbito das eleições europeias», afirmou, considerando ainda «normal» que PSD e CDS se apresentem coligados.

Apesar de reconhecer que as europeias não vão ser fáceis para os sociais-democratas, entre outras coisas, por serem eleições em que normalmente os partidos no poder são penalizados, sublinhou que «a meta do PSD/Açores é sempre vencer».

Quanto a Sofia Ribeiro, até agora presidente do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores e vice-presidente da UGT/Açores, garantiu que o seu principal objetivo no Parlamento Europeu será ajudar a «construir melhores condições para o povo açoriano», considerando «a missão da Europa» essencial na «construção do futuro» do país e no desenvolvimento do arquipélago.

Dizendo que este é um «desafio tremendo» a nível pessoal, desvalorizou que o seu percurso esteja ligado a questões laborais e da educação quando para os Açores os dossiês da pesca e da agricultura assumem muita relevância.

«Será com certeza uma adaptação difícil, mas também um desafio muito grande, que me estimula para um trabalho acrescido», afirmou, destacando, entre as suas «mais valias», o facto de «precisamente» não estar ligada a partidos, com um «pensamento próximo» da sociedade civil.

Sofia Ribeiro, que é professora de matemática, destacou ainda que «ao longo dos anos» adquiriu «capacidade de concertação e diálogo» nas estruturas sindicais, pretendendo usar «esse 'aport'», com «humildade», no trabalho que vier a desenvolver no Parlamento Europeu.