Ao telefone da cadeia de Évora, José Sócrates faz a sua defesa pública.

«Só deixa de ser livre quem perde a dignidade», disse José Sócrates ao jornal «Expresso», numa entrevista publicada este sábado na edição do semanário, uma semana depois de ter sido detido no aeroporto de Lisboa a que se seguiu a prisão preventiva após várias horas de interrogatório.

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José Sócrates, indiciado de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais, foi detido na sexta-feira, no desembarque do avião que o transportou de Paris até Lisboa,  encontrando-se em prisão preventiva no Estabelecimento prisional de Évora.  

O juiz Carlos Alexandre alegou os três motivos previstos na lei:  risco de fuga, receios de perturbação do inquérito e de continuação da actividade criminosa, havia confirmado o advogado.

«Sinto-me mais livre do que nunca», «bem-disposto e muito animado». O antigo primeiro-ministro expressou assim o seu estado de alma sem adiantar mais sobre os factos que levaram à sua detenção para além da explicação feita em carta ao «Público» e à TSF durante a semana e guardando-se para uma entrevista presencial.

José Sócrates revelou ainda ao «Expresso» que tem feito atividade física e lido muito nestes dias que tem passado na prisão.

A semana que vem promete trazer mais novidades sobre o caso. O advogado de José Sócrates, João Araújo, já confirmou que vai apresentar o recurso para pedir a libertação do ex-primeiro-ministro e entrou no Supremo Tribunal de Justiça um pedido de «Habeas Corpus», interposto por um cidadão que não o seu advogado.

Em declarações ao semanário, João Araújo, contou como foram as horas antes da detenção de Sócrates. O antigo-primeiro-ministro terá sido avisado pelo filho da operação do Ministério Público. O filho telefonou ao pai que estava em Paris no dia em que o motorista de José Sócrates também tinha sido detido, segundo relata o jornal. Horas depois, João Araújo estava em Paris. «Falámos ao telefone naquela noite e fui imediatamente ter com ele a Paris», disse o advogado ao «Expresso».

João Araújo também avisou Sócrates: «Disse-lhe que seria detido assim que aterrasse em Portugal. E que havia uma possibilidade de ficar preso preventivamente».

«A decisão de voltar foi dele. Regressou para ser preso», acrescentou o Araújo.