Actualizada às 18:00

O Bloco de Esquerda (BE) insistiu, esta terça-feira, na necessidade de o primeiro-ministro esclarecer a existência ou não de «promiscuidade» entre o Governo e a PT para a compra da TVI, sublinhando que o que está em causa é «uma questão política».

«O primeiro ministro há meses que anda a fugir a responder à questão política e é da questão política que se trata», disse o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, a propósito das afirmações de José Sócrates ao início da tarde.

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Também o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, insistiu que o primeiro-ministro deve dar «um esclarecimento ao país» sobre a alegada intervenção do Governo na intenção de compra da parte da TVI pela PT. Em declarações aos jornalistas no Parlamento, o presidente da bancada comunista reagiu às declarações de José Sócrates, que acusou, esta terça-feira, a oposição de aproveitar o cometimento de um crime ¿ a divulgação de escutas no âmbito do processo Face Oculta ¿ para o atacarem e ao PS.

Bernardino Soares rejeitou esta acusação, afirmando que o PCP «sempre» condenou «a divulgação de material que estivesse em segredo de justiça e a divulgação abusiva de escutas». «O primeiro-ministro continua a não dar explicações sobre o conteúdo das matérias que foram reveladas, que são da maior gravidade. Independentemente de outras considerações acerca da sua divulgação, aquele conteúdo, aqueles factos que não são desmentidos pelo primeiro-ministro exigem um esclarecimento ao país», sustentou Bernardino Soares.

«Precisamos de saber o que é que o senhor primeiro-ministro tem a dizer sobre os factos que foram revelados publicamente de ¿démarches¿, de conversas suas, indicações que terá dado sobre matéria da comunicação social. Esse esclarecimento é puramente político e a ele o senhor primeiro-ministro não pode fugir», acrescentou.

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De igual modo, o CDS-PP exigiu o esclarecimento «cabal» do ponto de vista político se houve ou não «intromissão» do Governo através da PT para a compra da TVI. «O que o CDS-PP quer saber é tão somente isto: se houve ou não uma intromissão do Governo através de uma empresa na qual o Estado tem uma posição relevante numa estação de televisão», afirmou o líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Mota Soares, em declarações aos jornalistas.

Recusando que o CDS-PP se esteja a «intrometer» na Justiça, Pedro Mota Soares insistiu que os esclarecimentos que o partido exige são «do ponto de vista da política». «Quem trouxe este caso para a política foi o secretário-geral do PS, José Sócrates, que num congresso elegeu uma televisão, um director de uma televisão e um programa como adversários», recordou o líder da bancada do CDS-PP.

Pedro Mota Soares lembrou ainda que a propósito do negócio entre a PT e a TVI José Sócrates já disse «coisas diferentes». «Num primeiro momento disse que não sabia, que não tinha conhecimento de qualquer intromissão, num segundo momento já veio dizer que não tinha qualquer conhecimento oficial. O que nós queremos é um esclarecimento cabal», sublinhou.