O advogado considerou, segundo a Lusa, que a alteração das medidas de coação se deveu à “pressão de uma opinião pública democrática, que vinha chamando a atenção para o facto de se tratar uma prisão preventiva completamente injustificada”.

“José Sócrates foi um dos piores primeiros-ministros de Portugal e um dos responsáveis pela situação financeira e económica do país, mas a sua prisão preventiva, as circunstâncias em que foi feita e a chamada a imprensa para a filmar, a contínua violação do segredo de justiça e a tentativa de imposição de uma medida de coação como a tornozeleira [eletrónica], representa que temos uma justiça criminal completamente ao serviço da extrema-direita”

O candidato fez notar que a Justiça “arquiva ou absolve em casos como o Portucale, dos submarinos e contrapartidas, viaturas [blindadas] Pandur, da dívida pública da Madeira”, por exemplo, e, “quando se trata de arguidos da esquerda, mesmo que da esquerda formal, atua da forma que atua”.

“Essa prisão é totalmente injustificada. É um tema tabu, visto que não se explica porque, depois de se tentar impor a tornozeleira e da justa recusa em a colocar [por parte do arguido], se acaba por determinar a libertação”.

Garcia Pereira interpretou a decisão do juiz Carlos Alexandre como forma de não “ficar desmascarado” depois de a sua decisão relativamente ao antigo líder do universo empresarial Espírito Santo, Ricardo Salgado, ironizando que o mesmo foi “tranquilamente para casa num novo modelo de viatura celular que é o seu Mercedes particular, passar férias para o respetivo palacete”.

Sócrates está em prisão domiciliária, em Lisboa, desde sexta-feira, após nove meses e meio de prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora, no âmbito da chamada Operação Marquês.