Na segunda aparição pública que fez depois de sair em liberdade, José Sócrates foi recebido com aplausos e abraços em Vila Real, para uma sessão pública. Sensibilizado pelo convite, quis começar por falar de política, desejando "boa sorte" ao Governo de António Costa que se pré-anuncia, caso o programa PSD/CDS-PP seja chumbado na próxima terça-feira. 

"Vivemos um tempo muito interessante, inovador, estes dias, em que se anuncia um novo governo para o nosso país. Anuncia-se um novo governo: este governo que se anuncia não é apenas mais um, mas é verdadeiramente um novo governo", elogiou, alegando que em causa está um "começo de um novo começo", em que não só o Governo será novo, como o tempo político também o é.  

"Pese embora as reservas [que possam existir], o novo dever é desejar boa sorte a este novo Governo"


Sócrates aproveitou para deixar alguns conselhos a António Costa: "O país precisa. que traga uma nova visão de futuro, que vença a miopia dos últimos quatro anos, um governo que nos diga a nós portugueses o que é que nós devemos fazer, podemos melhorar, podemos construir. Política é isso: trata-se de fazer sempre alguma coisa, fazer melhor. Para que finalmente acabe o tempo que o governo diga apenas aquilo que não podemos fazer. 
vencer resignação e espécie de penitência a que estávamos obrigados".

Foi mais direto a seguir, pedindo investimento para o país, sobretudo para o interior: "Um Governo que vote a ter projeto de modernização e de ambição para o nosso país, desenvolvimento, crescimento [que preze o] valor da igualdade". Com isso, citou as suas próprias públicas, quando liderou o Governo:

"Não, o investimento no IC5 não foi um desperdício, o investimento na autoestrada para Bragança não foi dinheiro deitado fora, não. O único erro económico que eu vi cometer nos últimos tempos aqui, no distrito de Vila Eeal, foi terem cancelado, anulado, obra do tunel do marão, para a fazerem agora e 25% mais caro"


"A liberdade de expressão também tem limites"


No início do discurso, perante uma sala pequena para tantas pessoas que quiseram ouvir o ex-primeiro-ministro, Sócrates agradeceu o apoio "neste momento tão difícil".

"Não esqueci, nem esquecerei. Só quem já sofreu a prisão injusta se pode aperceber que a importância desse apoio tem para mim. Um dos objetivos da prisão era isolar-me do país, isolar-me dos militantes, dos apoiantes e dos 
esse foi o cmainho de todos os abusos cometidos, o caminho do isolamento. Chego aqui a Vila Real com a sensação que afinal não conseguiram. Não conseguiram", afirmou, recebendo aplausos e gritos de louvor pelo seu nome da plateia. 

"Detiveram-me e prenderam-me há um ano. Há um ano que disseram que tinham provas contundentes. Um ano depois não apresentam acusação, um ano depois não cumprem sequer o prazo de inquérito. Não tem provas, nunca tiveram nem as têm, porque não há provas do que não aconteceu"


Sócrates defendeu ainda que tentaram prendê-lo na opinião pública e, sobre a decisão do tribunal de impedir o  Correio da Manhã de publicar notícias sobre o processo Marquês deixou também o seu ponto de vista, falando no "cinismo dos argumentos".

"Verdadeiramente o que estamos a falar não é nenhuma liberdade de expressão do ponto de vista do interesse público. São campanhas organizadas de denegrimento, vasculha-se com intuito de ter mais audiência e de vender jornais"

Por isso, defendeu que a liberdade de expressão "também tem os seus limites, como todas as liberdades". Deixou uma garantia: "Não é assim e não vai ser assim. Aqui estou para lutar", prometeu.

Teve ainda tempo para falar da Europa e pedir "igualdade económica", porque foi para isso que o projeto europeu foi feito e criticou o "ajoelhamento da esquerda europeia". Uma palavra também para os refugiados, que deverão ser bem recebidos.