José Sócrates terá admitido, perante o juiz Carlos Alexandre, que recebeu dinheiro do seu amigo, Carlos Santos Silva, a título de empréstimo. Mas de acordo com o semanário «Expresso», não soube quantificar os valores em causa, nem demonstrar que lhe tivesse devolvido qualquer verba.

Também o empresário tinha admitido ao juiz que dinheiro se tratava de um empréstimo. No entanto, as explicações não terão convencido Carlos Alexandre e os dois ficaram em prisão preventiva.

A defesa de José Sócrates tem tentado, desde a detenção do ex-Primeiro-ministro, ter acesso a todos os documentos e dados que constam do processo e já entregou dois requerimentos.

Sabe-se agora que o primeiro pedido, entregue há 10 dias, teve resposta negativa do juiz. Segundo o jornal «Público», Carlos Alexandre quer que processo permaneça em segredo de justiça, mesmo para os arguidos.

Ao advogado do ex-líder do PS, João Araújo resta aguardar a resposta ao segundo requerimento e a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, ao recurso que apresentou, na passada sexta-feira, contestando a prisão preventiva do antigo governante.

Recorde-se que João Araújo,disse no «Jornal das 8» da TVI, sexta-feira à noite, que o «processo tem uma face profundamente política». «O facto de ele ser quem é, influenciou a decisão do juiz», sublinhou.
 
José Sócrates foi detido a 21 de novembro, por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal.