Por: Sara Marques | 14- 3- 2011 20: 17
O primeiro-ministro falou esta segunda-feira ao país e negou que o Governo tenha rompido o acordo com o PSD. José Sócrates
quis esclarecer «alguns equívocos» que surgiram após o anúncio, na passada sexta-feira, de novas medidas de austeridade.
«O
anúncio destas medidas não viola o acordo orçamental estabelecido com o PSD, pelo contrário», disse José Sócrates, «as medidas
inserem-se nesse acordo». O primeiro-ministro diz que estas medidas «são fundamentalmente medidas de redução adicional da
despesa do Estado» e «correspondem» ao acordo feito com o PSD, «de redução do défice pelo lado da despesa».
Sócrates
estranha até que «quem tanto fala da redução da despesa se mostre agora indignado por o Governo o fazer».
«As medidas
para 2011 justificam-se para reforçar a confiança», garante, e «não significa, como alguns dizem, que isto está a correr mal».
Garantindo
que «Portugal não tem necessidade de recorrer à ajuda externa, só precisa de confiança», Sócrates assegura que «a meta
reduzir o défice para 4,6 por cento em 2011 não está em causa». «Mas todos os responsáveis políticos sabem que as metas
previstas para 2012 e 2013 exigem que prossigamos um esforço de consolidação orçamental», disse. E acusa quem não fala dessas
metas de estar «a iludir os portugueses».
«Todos os países da Zona Euro têm que apresentar um PEC em Abril», lembra
o primeiro-ministro, garantindo que o Governo apenas quis antecipar a apresentação dessas medidas para que fosse anunciadas
antes da cimeira da zona Euro, o que, segundo Sócrates, permitiu, «uma vitória importante» na reunião de sexta-feira,
em Bruxelas.
«Ter o apoio das instituições europeias, é fundamental para evitar que Portugal seja obrigado a recorrer
a um programa de ajuda externa que seria gravoso para os portugueses», assegura. «A situação da Grécia e da Irlanda é bem
ilustrativa disso».
Sócrates manifestou até «estranheza por ver responsáveis do PSD falarem da vinda do FMI de forma
tão natural».
Governo disponível para «discutir e negociar as suas propostas»
Questionado sobre se
as novas medidas serão levadas ao Parlamento, José Sócrates garantiu que o Governo está «disponível para discutir e negociar
as suas propostas».
«O que não é aceitável, nem responsável é a posição de quem não está disponível para negociar,
mas também não apresenta alternativas. Isso é próprio de quem só quer criar uma crise política, mas não tem coragem de
o dizer», disse.
O primeiro-ministro lamentou ainda que «enquanto o Governo estava em Bruxelas a defender
o interesse nacional, outros responsáveis políticos não tenham sido capazes de resistir ou à demagogia, ou aos interesses
partidários».
«Este não é o tempo para a sofreguidão pelo poder. Este tempo exige estabilidade, coragem, sentido
da responsabilidade e pensar no interesse nacional», disse José Sócrates.
«Quem quiser provocar uma crise política
é livre de o fazer, pode fazê-lo de várias formas, através de uma moção de censura ou não aprovando o Orçamento para 2012.
Mas uma crise política neste momento enfraqueceria o nosso país, prejudicaria o país e impediria que Portugal se afirmasse
como um país que é capaz de resolver os seus problemas sem recorrer a nenhuma ajuda externa».
José Sócrates assegura
que está «tranquilo», com «espírito de quem está aqui para cumprir o seu dever». «Não estou a pensar na minha carreira
política. Isto não tem a ver com o Governo, nem tem a ver comigo. Tem a ver com o futuro do nosso país».
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