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Sócrates diz que se entenderá com todos os partidos

Primeiro-ministro demissionário acusa PSD de fazer «guerrilha ao Governo» e nega qualquer problema interno no PS com saída das listas de Teixeira dos Santos, Amado e Gama

Por: Redacção / HB  |  26- 4- 2011  21: 21

Sócrates à TVI

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Úlima actualização às 22:15

José Sócrates diz estar disponível para um entendimento com todos os partidos para que sejam preservadas «áreas de consenso», mas deixou fortes críticas ao PSD, acusando os sociais-democratas de pretenderem apenas fazer «guerrilha ao Governo». O líder do PS negou ainda qualquer conflito com Teixeira dos Santos, Luís Amado ou Jaime Gama - todos eles fora das listas socialistas.

«Acho possível e desejável o entendimento entre PS e PSD e outros partidos que se disponham a cooperar», disse o primeiro-ministro demissionário esta terça-feira à noite, numa entrevista na TVI, conduzida por Judite de Sousa. «Servir Portugal, neste momento, exige que os partidos tenham formas de entendimento».

«Hoje, mais do que nunca, é visível que o nosso país precisa que os partidos políticas preservem as relações entre si, com vista a definirem áreas de consenso», reforçou, «lamentando» que o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, «não tenha entendido» o apelo à «união» que foi feito.

Para José Sócrates, o maior partido da oposição têm-se pautado por uma «atitude de permanente guerrilha política ao Governo», considerando inaceitável as pressões sobre a vida interna do PS, numa referência às declarações de Passos Coelho, que já disse estar disposto a negociar com o PS, mas não com Sócrates como líder.

«Cada partido elege o seu líder», frisou José Sócrates, recordando: «Não cheguei ao Governo pela escada de serviço». «Candidatei-me a eleições e ganhei essas eleições. O que vejo é que muitos deveriam respeitar o resultado das eleições. Esta crise política existe porque muitos não respeitaram o resultado dessas eleições», apontou.

Sobre a ajuda externa que está a ser negociada, José Sócrates diz que este é um processo difícil e que o que está a tentar é assegurar o financiamento do país e preservar o actual modelo social. Apesar de considerar que este pedido de ajuda seria evitável, com a aprovação do chamado PEC 4, Sócrates disse que teve de fazê-lo mais depressa do que esperava, devido à deterioração das condições.

Para o primeiro-ministro seria preferível que estas negociações fossem realizadas após as eleições, com um Governo de plenos poderes. Sobre estas, diz que o Executivo tem pela frente a missão de lutar para que as medidas que venham a ser impostas sejam o menos «gravosas» possível e que tanto o Presidente da República como os partidos têm sido informados.

Sobre algumas das medidas que têm sido veiculadas pela imprensa e que afectariam, por exemplo, o 13º mês, Sócrates desmentiu. «Desminto todas essas informações que vêm nos jornais». O valor de 80 mil milhões que tem sido avançado como o pacote de ajuda também mereceu uma reacção parecida. «Não sei onde foram buscar esse número».

Outro dos temas que tem sido notícia de jornais é a suposta deterioração da relação com o ministro das Finanças. Sócrates diz que a sua não inclusão nas listas do PS nas próximas eleições «não tem nenhum significado político» e que contará com ele para «toda a vida». Sobre o facto de ter sido indicado Pedro Silva Pereira para falar com os partidos sobre as negociações, explicou: «Desde o início que anunciei que o ministro das Finanças lidera a equipa governamental e que o senhor ministro da Presidência tem um lugar nessa equipa negocial apenas para dirigir o acompanhamento por parte do Presidente da República e dos partidos da negociação».

Na explicação para a saída das listas socialistas de outros dois pesos pesados - Jaime Gama e Luís Amado -, Sócrates disse que o ex-presidente da Assembleia da República lhe comunicou o «desejo de sair da vida política» e que «a mesma coisa» aconteceu com o ainda ministro dos Negócios Estrangeiros.

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