
A polémica estalou pouco depois de terminado o «Fórum TSF» desta quinta-feira, em que o convidado era José Sócrates. Choveram críticas nas redes sociais devido ao método de selecção dos ouvintes que fizeram perguntas ao primeiro-ministro demissionário, alegadamente por serem ligados ao PS, o que levou o director da rádio a explicar-se no Facebook.
«Importa esclarecer que no Fórum da TSF entram os ouvintes que se inscrevem. Nós não perguntamos de que partido são, nem que pergunta querem fazer», começou por dizer Paulo Baldaia, acrescentando: «Não há, portanto, qualquer tipo de controlo. Quando está cá algum líder político, o número de inscrições dispara e é por isso que muitos inscritos não conseguem participar».
«Se as máquinas partidárias se mobilizam, não há forma de o impedir. Ainda assim, a editora do Fórum procurou equilibrar, retirando da nossa página perguntas mais assertivas e mais incómodas para o líder do PS e quando alguns ouvintes se limitavam a fazer elogios a José Sócrates lembrou-lhes que deveriam colocar uma pergunta», frisou.
O que é certo é que a página da TSF no Facebook tem sido inundada de críticas e muitas têm sido também as reacções em blogs e no twitter.
Gestão de impacto
As opiniões são variadas, mas os próprios especialistas em comunicações têm dúvidas sobre a gestão do impacto da mensagem.
Paulo Morais, Managing Partner na T-Evolution, escreve no site Marketing Portugal que a marca viu «no espaço de minutos, a sua reputação na rede cair por água abaixo», à imagem do que ocorreu recentemente com a Ensitel e Fernando Nobre.
A consultora de comunicação Alda Telles discorda e escreve no blog «Lugares Comuns» que o caso «Fórum TSF» nada tem a ver com a situação da Ensitel, dado que este tornou-se um «case study» devido à «má gestão da crise nas redes sociais».
«No caso deste Fórum TSF, a polémica foi gerada pela dúvida levantada - pelo outro lado da "barricada" - quanto à isenção da estação de rádio e eventual "filtragem" de opinião. E essa polémica foi debatida, essencialmente, porque naturalmente, nas redes sociais, nomeadamente no Facebook», analisa, concluindo: «O caso do Fórum TSF devia ser um case study, mas não de gestão de crise nas redes sociais».
De resto, há mesmo quem já tenham recordado que quando Passos Coelho esteve no mesmo programa de rádio terá acontecido algo semelhante, como relatou o jornalista Emídio Fernando no blog Correio Preto.