O deputado do PCP na Assembleia da República Jorge Machado desafiou esta segunda-feira o secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, a ir «pescar carapau para ver consegue sobreviver com isso».

O parlamentar comunista comentou as recentes declarações do governante à Agência Lusa, no âmbito do defeso da sardinha em vigor, onde apontava que «existem outros stocks e outras possibilidades de pesca, como a cavala ou o carapau».

«É mais um disparate deste governo. O primeiro-ministro mandou os portugueses emigrar e este secretário de Estado mandou os pescadores virarem-se para o carapau», afirmou Jorge Machado, completando.

«Desafio o senhor secretário de Estado a ir pescar carapau ou cavala e ver se consegue sobreviver com isso. São peixes que estão a ser vendidos por preços irrisórios, que não permitem o sustento dos pescadores. Essa resposta é uma ofensa a uma classe que já está a passar por muitas dificuldades», disse.


Jorge Machado abordou, numa conferência de imprensa promovida da Póvoa de Varzim, o defeso biológico da sardinha, que tem forçado várias embarcações, que se dedicam à captura deste pescado, a pararem a sua atividade.

«Não há qualquer estudo científico, que seja do conhecimento público, sobre a necessidade ou adequação desta paragem para reposição dos stocks», apontou o deputado.

«O que temos é uma paragem articulada entre o governo e os armadores, que podem ganhar dinheiro com isto, mas que atiram para a miséria cerca de 2500 pescadores que ficam no desemprego», completou

Jorge Machado acusou o governo de não defender os interesses nacionais, apontando que em Espanha se continua a fazer a pesca da sardinha.

«Sendo a quota da sardinha negociada entre Portugal e Espanha, e não havendo nenhuma imposição comunitária sobre esta matéria, achamos muito estranho que o governo não defenda os interesses nacionais e, pelo menos, esclareça porque nós paramos e em Espanha não», acrescenta.


O deputado do PCP considerou «legítimo que se faça uma paragem para repor stocks», mas vincou que teria de ser «devidamente fundamentada e não concertada entre armadores e governo».

A proibição da captura da sardinha foi compensada com a atribuição de subsídios aos pescadores, mestres e armadores num total aproximado de 4 milhões de euros, o que corresponde a um salário de 600 a 800 euros por mês, por tripulante, em função das atividades a bordo.

O defeso biológico decorre entre 1 de Janeiro e 28 de Fevereiro para os pescadores que não aderiram à cessação temporária e entre 15 de Janeiro e 15 de Março para os que receberam as compensações.

Após o período de defeso, está estabelecida uma quota inicial de 4.000 toneladas entre março e Maio, mas falta fixar a quota total disponível para 2015.