Notícia atualizada às 16:35

O ministro da Educação, Nuno Crato, disse, esta terça-feira, no parlamento que convocou os diretores das 304 escolas com contrato com autonomia e TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária) para reuniões no ministério ainda esta semana.

«Estão marcadas reuniões para esta semana com diretores das escolas TEIP e com autonomia», disse Nuno Crato aos deputados da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, que, na sessão desta quarta-feira, regista uma sala cheia.

Aos deputados, o ministro disse, a propósito dos problemas com a colocação de professores através da Bolsa de Contratação de Escola (BCE), que é necessária uma «reflexão sobre o processo», insistindo que o caminho é o aprofundamento da autonomia das escolas na contratação de docentes.

«Não está em causa a contratação de escola, o aprofundamento da autonomia das escolas é um objetivo que não iremos abandonar. Um erro informático e incorreções processuais não colocam em causa um processo que todos sabemos estar na direção correta. O caminho não é recuar na autonomia, é dar às escolas a escolha dos professores», declarou Nuno Crato.

O ministro da Educação disse ainda que o ministério está a proceder a um «levantamento da dimensão do problema», sobretudo no que diz respeito aos efeitos sobre os alunos, garantindo apoio pedagógico necessário para compensar o tempo sem aulas.

«Todo o tempo de um aluno é precioso», declarou o responsável pela pasta da Educação.

Apelo ao diálogo com o PS

O ministro da Educação apelou também no parlamento a um diálogo com o Partido Socialista (PS) sobre o modelo de colocação de professores, defendendo que é necessária «mais transparência» nesse processo.

«É preciso transparência e não opacidade na colocação de professores. Julgo que seria muito interessante fazer um debate com o PS sobre a colocação de professores, mas esse é um debate para ser feito depois de corrigir os erros no imediato», declarou o ministro.

Antes a deputada socialista Odete João acusou Nuno Crato de se ter transformado num «símbolo da incapacidade política e da anarquia ideológica». «Este é o pior ano da educação em Portugal. O senhor ministro já conquistou, pelas razões que menos esperava, um lugar na história contemporânea da educação em Portugal», criticou a parlamentar do PS, acusando Nuno Crato e o secretário de Estado da Administração Escolar, Casanova de Almeida, de serem responsáveis por uma «tamanha trapalhada» para a qual se torna «difícil encontrar palavras para explicar o sucedido».