O deputado socialista Pita Ameixa defendeu esta quarta-feira um «novo desenvolvimento» do país para contrariar as políticas aplicadas pelo Governo da maioria PSD/CDS-PP e o seu «efeito de bola de neve invertido», numa declaração política, na Assembleia da República.

O parlamentar do PS sublinhou ser necessário «aliviar a carga para a nação da dívida pública, através de medidas de negociação e de mutualização europeias para um cumprimento integral e inequívoco, mas mais virtuoso e construtivo».

«Seria importante levar à concertação social o aumento da remuneração mínima nacional ou recuperar a lógica inteligente do Complemento Solidário para Idosos (CSI)», disse, a fim de «promover a mobilização do país para uma nova fase do seu desenvolvimento económico, social e cultural».

Pita Ameixa afirmou que «Portugal precisa de se levantar e de sair do buraco escavado nos últimos quase três anos que este Governo leva de mandato», o qual considerou ter originado «uma espécie de efeito de bola de neve invertido, de tal maneira que quanto mais rola a bola mais matéria perde, em vez de ganhar", citando o crescimento positivo de 1,2 por cento do Produto Interno Bruto, previsto pelo memorando de entendimento com a troika, para o decréscimo de 1,4 por cento.

O deputado «rosa» falou também de «vergonhosos máximos históricos de decréscimo do emprego, com inédito 16,3 por cento de desemprego» e da emigração: comparando «o auge de 1966 (120.230 pessoas) com os 121.418 portugueses» que deixaram o país em 2012.

«Os portugueses empenharam-se com o Governo em ultrapassar as dificuldades que havia para pagar salários e pensões. Reconhecendo este esforço nacional, de empresas, famílias, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), o PS contribui com alguma coisa para isso? Vai dizer presente? Dar as suas sugestões para o futuro do nosso país?», questionou, na resposta, o social-democrata Pedro Pimpão.

O deputado «laranja» reforçou o apelo ao consenso e ao compromisso para que os portugueses, «que não merecem, não voltem a ter uma troika».

«O PS desvinculou-se de algumas decisões, mas não se desvinculou do memorando a que o PCP chama, muito justamente, pacto de agressão», acusou o comunista João Ramos.

Pita Ameixa declarou que «o PS, em todos os tempos, teve a preocupação em estabelecer consensos na sociedade portuguesa» e que é «a maioria que tem uma prática governativa ensimesmada», lembrando ainda «o acordo histórico» celebrado pelos socialistas para o aumento do salário mínimo nacional, incluindo com a CGTP.