O cenário macroeconómico apresentado pelo grupo de trabalho do PS ficou desatualizado com as previsões económicas da Comissão Europeia apresentadas esta terça-feira, uma vez que os socialistas assumiram como base o cenário europeu conhecido em fevereiro.

A 21 de abril, os 12 economistas mandatados pelo PS apresentaram o relatório ' Uma década para Portugal' em que, partindo do cenário macroeconómico da Comissão Europeia, conhecido a 5 de fevereiro, apresentaram as suas próprias projeções para a economia portuguesa até 2019, considerando o impacto de uma série de medidas também incluídas no documento.

No entanto,  Bruxelas atualizou e melhorou as previsões para a evolução da economia portuguesa para 2015 e para 2016, o que quer dizer que os números que serviram de base aos socialistas são agora mais pessimistas do que os da Comissão Europeia, uma vez que o documento previa para 2015 mais défice e mais dívida do que os técnicos europeus agora anteveem.

Para 2015, Bruxelas manteve hoje a previsão de crescimento da economia portuguesa, nos 1,6%, mas melhorou ligeiramente as projeções para o défice (para os 3,1% do Produto Interno Bruto, contra os 3,2% anteriormente estimados) e para a dívida pública (dos 124,5% calculados em fevereiro para os 124,4%).

Olhando para as projeções de 2016, os socialistas estão mais otimistas do que Bruxelas quanto ao cenário macroeconómico, antecipando mais crescimento e menos desemprego, mas estimam que as finanças públicas sejam piores, com mais défice e mais dívida pública.

O grupo de trabalho liderado por Mário Centeno prevê que, em 2016, Portugal cresça 2,4%, bastante acima dos 1,8% estimados agora por Bruxelas, e que o desemprego seja de 12,2%, contra os 12,6% antecipados pela Comissão.

Já quanto às finanças públicas, os socialistas antecipam que o défice orçamental seja de 3,2% em 2015 e de 3% em 2016, acima das projeções de Bruxelas, que apontam para um défice de 3,1% este ano e de 2,8% no próximo.

Isto significa que, tendo o défice acima dos 3% definido pelas regras europeias tal como os socialistas assumem nos seus cálculos que já consideram o impacto das medidas que integram o relatório, em 2016, Portugal continuará no Procedimento dos Défices Excessivos.

Relativamente à evolução da dívida pública, o PS estima que seja de 130,2% este ano e que caia para os 128,8% em 2016, ao passo que os técnicos europeus esperam que seja de 124,4% em 2015 e de 123% no próximo ano