Por: Redacção / HB | 5- 8- 2008 10: 35
Mário Soares teceu duras críticas à última comunicação feita ao país por Cavaco Silva. Num artigo publicado esta terça-feira
no Diário de Notícias, o antigo chefe de Estado descreveu a declaração do actual Presidente sobre o Estatuto político
administrativo dos Açores como «inoportuna», tanto «no tempo» como «na forma», por considerar que este é um tema que diz respeito
ao Parlamento e que interessaria que fossem abordados «outros problemas que os portugueses sentem na carne».
«Não
parece ter sido muito feliz a intervenção, feita com pompa e circunstância, através das televisões, pelo sr. Presidente da
República, no último dia de Julho passado, quando a maioria dos portugueses se preparava para ir de férias, procurando esquecer,
por um mês, os problemas graves e complexos que os esperam no regresso», começa assim Mário Soares o seu artigo.
Não
colocando em causa a relevância do tema abordado, o antigo Presidente da República considera, por outro lado, censuráveis
as «expectativas criadas», assim como o «momento e a forma que escolheu para o transmitir aos portugueses». «A questão que
o Presidente levantou é de natureza político-constitucional e, na fase em que se encontra, cabe ao Parlamento agora pronunciar-se
e não aos portugueses em geral», frisa Soares.
Uma frustração que não deve repetir-se...
Estas razões
levam o antigo primeiro-ministro e chefe de Estado a descrever como «inoportuna - no tempo e na forma como a fez - a comunicação
do Presidente da República», de forma especial «quando os portugueses comuns estão preocupados - talvez mesmo angustiados
- com outras questões, bem mais importantes, para eles». «Tantos outros problemas que os portugueses sentem na carne», sublinha.
Apontando
o «custo de vida, a subir de forma exponencial», «a crise energética», «a crise financeira», «o desemprego», «o escândalo
da corrupção» e «a paralisia e crise em que está mergulhada a União Europeia», Mário Soares diz que «sobre tudo isto, o sr.
Presidente tem-se referido sempre de fugida, muito discretamente, em breves respostas a perguntas circunstanciais que lhe
fazem. Mas nunca fez um discurso de fundo».
«Era isso, julgo, que todos esperavam quando foi anunciada uma "importante"
comunicação do Presidente aos portugueses. Daí a frustração que se seguiu à comunicação do Presidente, que a maioria não terá
sequer compreendido. Uma frustração que não deve repetir-se...», conclui o antigo chefe de Estado.
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