O Partido Socialista acusou esta terça-feira o Governo de estar a destruir o Serviço Nacional de Saúde (SNS), com medidas como a possibilidade de as urgências privadas poderem vir a tratar doentes em alturas de maior afluência aos hospitais.

O deputado socialista Manuel Pizarro sublinhou à agência Lusa que a situação no SNS é «de verdadeira catástrofe» e frisou a «enorme incapacidade do Governo e do ministro da Saúde», em responder a um maior fluxo de utentes nas urgências dos hospitais públicos, por causa da epidemia de gripe.

«O Governo sabe, desde meados de dezembro, que está a ocorrer em Portugal uma epidemia de gripe e sabe porque isto já aconteceu múltiplas vezes e é necessário intensificar a capacidade de resposta do SNS», referiu, lamentando as oito mortes registadas até agora nas urgências dos hospitais.

Salientando a «intenção do Governo na destruição do serviço público de saúde», Manuel Pizarro, médico de formação, denunciou a resposta tardia do Governo com medidas que constam de um despacho, a que a agência Lusa teve acesso hoje, assinado pelo secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, a 09 de janeiro, quando já tinham ocorrido três mortes em serviços de urgência.

«As medidas que estão a ser anunciadas - abertura dos centros de saúde, reforço das equipas na urgência - deviam ser tomadas há um mês atrás e ter-se-ia poupado muito sofrimento inútil aos portugueses, e dado ao SNS capacidade de responder às necessidades das pessoas», afirmou o secretário de Estado da Saúde entre 2008 e 2011.

Aludindo à possibilidade de o Governo «pagar o recurso das pessoas ao serviços privados», em alturas de maior afluência aos hospitais, Manuel Pizarro vincou que «a verdadeira intenção do Governo é pôr em causa o SNS».

«Ao fim destes quatro anos de cortes sucessivos e brutais nos serviços públicos e nos hospitais públicos, que se vê agora que puseram em causa a capacidade de resposta do Governo, encontra-se, subitamente, dinheiro, não para financiar hospitais públicos, mas para pagar a ida das pessoas para o serviço privado», observou.

O secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, negou a existência de um «período de emergência ou caos generalizado» devido à gripe e pediu para que não se associe mortalidade com crise ou cortes na saúde.

O governante disse estar farto «de inverdades sistemáticas de que há menores probabilidades de se sobreviver ao inverno, por causa dos cortes no Serviço Nacional de Saúde».

«Como também não é verdade que as mortes nas urgências estejam relacionadas com atrasos nos atendimentos», acrescentando que todos os anos morrem nos serviços de urgência hospitalares 10 mil portugueses, dos 50 a 60 mil que morrem nos hospitais.