O PCP pediu esta sexta-feira a presença, no parlamento, do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, para prestar esclarecimentos sobre a situação dos enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, informou hoje o partido.

No dia em que termina uma semana de greve de enfermeiros, que afetou em especial os profissionais com o título de especialistas, o grupo parlamentar do PCP informou ainda, em comunicado, que reuniu com o Sindicato dos Enfermeiros, que convocou a paralisação, e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), que marcou uma greve para outubro.

Os comunistas querem esclarecimentos do ministro quanto à valorização profissional e social dos enfermeiros, nomeadamente dos especialistas, as desigualdades entre enfermeiros com contratos individuais de trabalho e contratos de trabalho em funções públicas, em particular a aplicação do horário de trabalho de 35 horas por semana e a reposição das horas de qualidade.

Também esta tarde o BE anunciou que vai chamar o ministro da Saúde ao parlamento com caráter de urgência para prestar esclarecimentos sobre as reivindicações dos enfermeiros e "medidas concretas" para lhes corresponder, anunciou o grupo parlamentar bloquista.

O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda requer, com caráter de urgência, a audição do Ministro da Saúde sobre a situação dos profissionais de enfermagem, suas reivindicações e medidas concretas para corresponder às mesmas", lê-se no requerimento subscrito pelo deputado Moisés Ferreira.

Os enfermeiros cumprem hoje o último de cinco dias de greve nacional e juntaram aos vários protestos que têm realizado pelo país uma concentração junto à Assembleia da República, à tarde.

Durante os quatro primeiros dias de greve a adesão dos profissionais tem andado em valores entre os 80 e os 90%, segundo o Sindicato dos Enfermeiros, que marcou a paralisação em conjunto com o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem.

Várias cirurgias programadas foram adiadas e muitas consultas canceladas.

Os enfermeiros reivindicam a introdução da categoria de especialista na carreira de enfermagem, com respetivo aumento salarial, bem como a aplicação do regime das 35 horas de trabalho para todos os enfermeiros, mas a Secretaria de Estado do Emprego considerou irregular a marcação desta greve, alegando que o pré-aviso não cumpriu os dez dias úteis que determina a lei.

O braço de ferro entre enfermeiros e Ministério da Saúde prolonga-se desde julho, com a reivindicação da integração da categoria de especialista na carreira.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, deu o seu apoio ao protesto dos enfermeiros especialistas, bem como à greve convocada por dois dos sindicatos de enfermeiros. De fora desta paralisação ficou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.