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Ana Jorge desafia Passos a dizer onde corta no SNS

Ministra da Saúde acusa PSD de querer que cidadãos passem a ter «apenas direito a um pacote limitado de cuidados»

Por: Redacção / CLF  |  27- 5- 2011  12: 56

Saúde (Foto Cláudia Lima da Costa)

A ministra da Saúde, Ana Jorge, desafiou esta sexta-feira o líder do PSD a esclarecer que «cuidados de saúde deixa de fora» do cabaz básico a que aquele partido «se propõe reduzir o Serviço Nacional de Saúde» (SNS).

Ana Jorge, que falava numa conferência de Imprensa, em Coimbra, enquanto cabeça de lista do PS pelo círculo eleitoral daquela cidade, afirmou que o PSD, ao «propor uma reavaliação do que chama o Plano Universal de Benefícios», está «a pôr em causa a oferta que tem hoje o SNS».

Com aquele plano, os cidadãos passarão a ter «apenas direito a um pacote limitado de cuidados», criticou Ana Jorge, sublinhando que tudo o que estiver para além daquele Plano, «para além do cabaz básico, está fora do SNS» e será «integralmente suportado pelas pessoas».

Se, «como diz o PSD», tudo o que está no seu programa eleitoral foi «estudado, testado e ponderado», então, desafia a ministra, «já sabe responder à pergunta que aqui lanço ao líder do PSD: que cuidados deixa de fora deste "Plano Universal de Benefícios", do cabaz básico?»

«A transparência democrática impõe ao PSD a resposta a esta questão», sustentou.

Mas os sociais-democratas propõem também «o fim do carácter tendencialmente gratuito do SNS», acusou Ana Jorge, afirmando que foi isso que o PSD «propôs no seu projecto de revisão constitucional« e «é o que volta a propor no seu programa».

«O cabaz básico é o único garantido como tendencialmente gratuito», disse, salientando que «todos os cuidados que estão fora» dele serão «pagos por cada cidadão ¿ isto chama-se co-pagamento na saúde».

«O PSD vem nestas eleições romper um grande consenso social», sustenta a ministra da saúde, considerando que os sociais-democratas ao colocarem «a gratuitidade dos cuidados no momento da doença, bem como a universalidade da sua oferta«, põem em causa SNS.

Sem a contribuição de toda a sociedade, através dos seus impostos, «não há SNS», defendeu a cabeça de lista dos socialistas por Coimbra, sublinhando que «um SNS para pobres, a curto prazo, transforma-se num pobre SNS».

O PSD está a fazer «uma tentativa descarada» para destruir o SNS, considerou António Arnaut, que também participou, com o líder distrital do PS/Coimbra, Mário Ruivo, na conferência de imprensa.

O programa do PSD, no que à saúde diz respeito, foi «feito a mando dos grandes grupos económicos que trabalham na saúde como um negócio», acusou o antigo ministro e fundador do SNS.

«A minha esperança é que o PSD não ganhe as eleições», mas se ganhar, «temos o Presidente da República, que tem de defender a Constituição, e temos o povo, que sairá à rua para defender o SNS», acredita António Arnaut.

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