O líder parlamentar do PSD disse esta terça-feira que há uma instabilidade "muito preocupante" no sistema financeiro e bancário potenciada pelo Governo, dando como exemplos notícias que se "multiplicam" sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD) ou o Novo Banco.

"Esta instabilidade criada no sistema bancário é de facto muito preocupante. Instamos o Governo a corrigir o tiro e a não ser o responsável por esta instabilidade, incerteza, desconfiança que gravita no nosso sistema financeiro", vincou Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Nos "últimos dias", prosseguiu o social-democrata, "continuam a multiplicar-se e avolumar-se notícias, intervenções e posições acerca do sistema financeiro, provindas do Governo, e em particular do ministro das Finanças" - tais posições "provocam desconfiança, perplexidade, incerteza no sistema financeiro e bancário", advogou.

"Só sobre a CGD foram mais de uma dezena" de notícias e inclusive "contradições" entre vários membros do Governo, realça Luís Montenegro, que insta o Executivo a "não plantar, de forma diária, às vezes mais que uma vez por dia, posições que não se percebem e que trazem incerteza ao sistema financeiro e ao sistema bancário".

O ministro das Finanças, Mário Centeno, tem-se portado - nas palavras do líder da bancada parlamentar do PSD - como um "elefante numa loja de porcelanas".

As negociações com as autoridades europeias sobre o processo de capitalização da CGD estão a correr bem e a solução desenhada vai ser em breve implementada, assegurou hoje o Ministério das Finanças, mas Montenegro lembra que o primeiro-ministro "há cerca de um mês" também já dizia que o processo estava perto de encerrado.

No que refere ao Novo Banco, o Executivo informou na segunda-feira a Comissão Europeia que "não considera a possibilidade" de realizar uma nova ajuda estatal ao Novo Banco, acrescentando que, se o banco não for vendido até agosto de 2017, entra num processo ordeiro de liquidação.

Luís Montenegro abordou estes temas no final de uma reunião do grupo parlamentar do PSD que antecede um jantar, privado, que assinala o fim da atual sessão legislativa.