O primeiro-ministro, António Costa, já foi informado sobre a detenção de um funcionário do Serviço de Informações e Segurança (SIS) mas, por se tratar de um assunto de Estado, não irá comentar o assunto.

Questionada pela Lusa, fonte do gabinete de António Costa confirmou que "o primeiro-ministro foi informado sobre o caso".

Trata-se de um assunto de Estado, o qual o primeiro-ministro não vai comentar", acrescentou a mesma fonte.

O primeiro-ministro português viaja hoje da Turquia, onde participou em Istambul na Cimeira Humanitária Mundial, para Itália, para visitar na quarta-feira a exposição de arquitetura da Bienal de Veneza.

A Polícia Judiciária anunciou na segunda-feira a detenção de duas pessoas, em Roma, uma das quais funcionário do SIS, por suspeita de espionagem, corrupção e violação de segredo de Estado.

Segundo fonte ligada ao processo, a venda de informações relacionadas com segurança, nomeadamente da União Europeia e NATO, estará na base da detenção, em Itália, do funcionário do SIS.

A fonte não quis identificar o funcionário do SIS detido, mas adiantou tratar-se de um dos mais antigos oficiais do SIS que já esteve em várias embaixadas, mas que não estava creditado em Itália quando foi detido.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou que a detenção se relaciona com transmissão de informações, a troco de dinheiro, a um cidadão estrangeiro de um serviço estrangeiro de informações.

A PGR adianta, em comunicado, que foram efetuadas buscas domiciliárias em Portugal e precisa que as detenções ocorreram durante o fim de semana, em Roma, Itália.

Depois de a PJ ter divulgado estarem em causa os crimes de corrupção, violação de segredo de Estado e espionagem, a PGR acrescenta haver também suspeitas do crime de branqueamento de capitais.

Durante a investigação, foram emitidos dois mandados de detenção europeus (MDE) e uma carta rogatória, com pedido de cumprimento antecipado de diligências de recolha de prova.

As detenções resultaram de uma estreita cooperação entre as autoridades portuguesas e italianas, sendo igualmente de salientar a intervenção da Eurojust. Os suspeitos foram apresentados às autoridades judiciárias italianas competentes, encontrando-se a aguardar extradição em prisão preventiva.

O SIS foi criado em 1985.

Nestas investigações, o Ministério Público é coadjuvado pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária, que deslocou investigadores a Itália para coadjuvar o cumprimento da carta rogatória expedida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).