A comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais vai ouvir o secretário-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP), através de um requerimento potestativo do PCP, disse à Lusa o deputado comunista Jorge Machado.

A audição parlamentar potestativa do secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, foi justificada pelo PCP com a necessidade de serem prestados esclarecimentos devido à detenção de um funcionário dos Serviços de Informações de Segurança (SIS), depois de PS e PSD terem chumbado essa audição.

De acordo com Jorge Machado, como o PSD questionou que se possa ouvir potestativamente o secretário-geral do SIRP, foi hoje votado na comissão um requerimento sobre admissibilidade do requerimento potestativo.

Esse requerimento foi aprovado com os votos contra do PSD, a abstenção do CDS-PP e os votos favoráveis de PS, BE e PCP. A audição ainda não foi agendada, acrescentou Jorge Machado.

O funcionário do SIS, Frederico Carvalhão Gil, detido a 21 de maio em Roma por alegada espionagem e outros crimes, está desde dia 8 de junho em prisão preventiva.

Após interrogatório judicial, o juiz de instrução criminal Ivo Rosa considerou que o arguido está "fortemente indiciado" dos crimes de violação de segredo de Estado, espionagem e corrupção.

O funcionário do tribunal que comunicou a medida de coação aos jornalistas referiu ainda que, após o interrogatório, o Ministério Público pediu a prisão preventiva do funcionário do Serviço de Informações e Segurança (SIS) por considerar existir o perigo de fuga, continuação da atividade criminosa e possibilidade perturbação da investigação.

Segundo os investigadores da operação "Top Secret", o funcionário do SIS é suspeito de transmissão de informações a troco de dinheiro a um agente dos serviços de informações russos, estando em causa crimes de espionagem, violação do segredo de Estado, corrupção e branqueamento de capitais.

O advogado de defesa, José Preto, adiantou à Lusa que iria refutar as imputações do Ministério Público, alegando também que houve "um conjunto de irregularidades" relacionadas com a detenção de Frederico Carvalhão Gil em Roma.

José Preto desafiou ainda os investigadores a provarem o flagrante delito e a apresentarem as provas da venda de segredos da NATO porque, diz, o seu cliente "não vendeu informações".