António Costa afirmou esta quarta-feira, em Pedrógão Grande, que as acusações feitas pelo social-democrata Nuno Morais Sarmento sobre o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança em Portugal (SIRESP) não correspondem à verdade. Em declarações aos jornalistas, após uma reunião com os autarcas dos concelhos afetados pelos incêndios, o primeiro-ministro recusou ainda estar a "empurrar" responsabilidades relativamente às contradições que têm surgido sobre o funcionamento do sistema de comunicações.

"Eu não empurro nada. Eu não empurro coisa nenhuma, dou a cara e assumo as responsbalidades."

O social-democrata Nuno Morais Sarmento acusou António Costa de ter alterado o sistema de comunicações quando renegociou, em julho de 2005, o SIRESP, no centro da polémica após a tragédia de Pedrógão Grande, que fez 64 mortos e mais de 200 feridos.

Questionado sobre o assunto, António Costa foi perentório: "Isso não é verdade".

O primeiro-ministro foi parco nos esclarecimentos, destacando, ainda assim, que a ministra da Administração Interna, perante as contradições que têm surgido no que toca ao funcionamento do sistema de comunicações, solicitou um relatório oficial ao Instituto de Telecomunicações.

"Isso não é verdade, mas de qualquer forma a senhora ministra ontem, perante as informações contraditórias sobre o funcionamento do sistema de comunicações, solicitou um relatório oficial ao Instituto de Telecomunicações, uma avaliação global do que diz respeito ao funcionamento do SIRESP."

O chefe do Executivo socialista acrescentou que os debates que fazia há 11 anos, ou seja, quando era ministro da Administração Interna de José Sócrates, tinham lugar na altura e não agora.

"Os debates que tinha de fazer há 11 anos fiz há 11 anos, hoje faço aquilo que me compete fazer e o que me compete fazer é responder às populações."

Depois de se ter reunido com os autarcas dos concelhos afetados pelos incêndios florestais - Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Pampilhosa da Serra, Góis, Penela e Sertã -, Costa,anunciou que estes municípios vão ser alvo de um projeto-piloto de reordenamento da floresta. Há, a esse propósito, uma nova reunião de trabalho com as autoridades dos concelhos afetados a 19 de julho.

O Governo pretende "utilizar este território para fazer um projeto-piloto no reordenamento da floresta, na revitalização do interior", afirmou.

"A coisa pior que pode acontecer é que a floresta volte a crescer como estava. Todos hoje sabemos bem que deixar a floresta crescer livremente é criar condições para que ela seja combustível e que não seja aquilo que deve ser - uma fonte de riqueza e de valorização económica", vincou o chefe do Governo.

A área destruída por estes incêndios - iniciados em Pedrógão Grande, no distrito de Leira, e em Góis, no distrito de Coimbra - corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

O incêndio de Góis, que também começou no dia 17, atingiu ainda Arganil e Pampilhosa da Serra, sem fazer vítimas mortais.