O presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta (PS), considerou hoje que o ministro da Educação já devia ter abandonado o cargo, perante a falta de colocação de 167 professores no município.

O presidente da autarquia pediu uma reunião ao ministro Nuno Crato, mas ainda não teve qualquer resposta, admitindo que «se estivesse no lugar dele, já lá não estava sentado».

O atraso nas colocações e a anulação dos concursos é um problema «demasiado grave» e o ministro «devia regressar ao ensino e ser colocado de maneira definitiva, para que não aconteça o que está a acontecer aos outros», ironizou Basílio Horta.

O autarca, que falava à margem da Presidência Aberta na freguesia de Agualva e Mira Sintra, adiantou que está prevista uma reunião na terça-feira, com professores e associações de pais de escolas do concelho.

A iniciativa destina-se a «ouvir quais são as iniciativas que entendem propor», perante a falta de docentes e a recuperação das aulas perdidas desde o início do ano letivo, adiantou.

Basílio Horta explicou que «a câmara não estará à frente, mas ao lado daquilo que for necessário fazer», reiterando a disponibilidade «para ir para a frente do ministério» da Educação, «desde que os professores e as escolas entendam que essa é a boa via».

«O primeiro-ministro dizer no Parlamento [hoje] que faltam 150 professores no país todo, quando só em Sintra faltam 167, e já faltaram mais, não tem lógica nenhuma», afirmou.

O autarca disse «não poder aceitar que no segundo maior concelho do país, com mais de 400 mil habitantes e milhares de famílias afetadas, estar a olhar para isto como se nada fosse».

A situação assume particular gravidade nas escolas classificadas como Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP), inseridas em zonas problemáticas e onde a maioria dos alunos possui necessidades educativas especiais.

Pelas contas da autarquia, até quinta-feira, faltavam 167 professores, repartidos pelos agrupamentos de escolas de Agualva Mira Sintra (18), Ferreira de Castro (24), Professor Agostinho da Silva (32), Leal da Câmara (38), Ruy Belo (21), Visconde de Juromenha (16) e de Queluz-Belas (18).

A falta de professores também foi criticada pelos eleitos do movimento independente Sintrenses com Marco Almeida, que na terça-feira defenderam na reunião de câmara privada que a «demissão é a única saída possível para o ministro da Educação».

Em comunicado, o movimento considerou que «os pedidos de desculpas que parecem ter-se tornado uma marca deste governo, não podem, por si só, apoucar as responsabilidades e as gravosas consequências»das decisões que afetam a vida das populações e da comunidade educativa.

O presidente da câmara, Basílio Horta, estimou que a falta de professores no concelho afete «mais de 20.000 alunos» em todas as escolas com horários incompletos.