Atualizado às 21:45

Assunção Esteves não gostou dos protestos na Assembleia da República esta quinta-feira e ameaçou mudar as regras de acesso às galerias. Depois dos protestos e da gritaria, usou uma frase para resumir a situação.

«Não podemos deixar, como dizia a Simone de Beauvoir, que os nossos carrascos nos criem maus costumes».

A escritora francesa inspirou-se nesse sentimento quando escrevia sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial, referindo-se à opressão nazi.

Mas não foi a primeira vez que Assunção Esteves recorreu a este expediente. A 31 de maio de 2006, quando era eurodeputada pelo PSD e participava num debate no Parlamento Europeu, em Bruxelas, sobre a situação dos prisioneiros em Guantánamo, disse o seguinte:

«Guantânamo não define os limites do direito e da política, mas definir os limites do direito e da política é uma exigência básica dos princípios de justiça. É essa a maior vitória da democracia sobre o terrorismo. Usando as palavras de Simone de Beauvoir, não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes».

Mais tarde, a 6 de setembro de 2007, voltou a recorrer a expressão a propósito do terrorismo, ainda na condição de eurodeputada:

«Em primeiro lugar, a garantia dos princípios da dignidade humana e do Estado de Direito em todas as frentes no combate ao terrorismo. Não podemos fazer claudicar as bases morais da democracia que assentam justamente nesses valores. Como dizia Simone de Beauvoir, não podemos permitir que os nossos carrascos nos criem maus costumes.»

Esta quinta-feira, à saída do Parlamento, Assunção Esteves reagiu, dizendo que apenas se queria referir à necessidade de não perturbação dos trabalhos. Sobre o facto das suas declarações estarem a ser muito criticadas, respondeu: «Paciência».