
O Partido Socialista queixou-se de uma «estratégia de confrontação» do Governo relativamente ao PS, enquanto o ministro das Finanças assegurou que não tenciona «marginalizar» o principal partido da oposição.
Durante uma audiência a Vítor Gaspar na comissão parlamentar do Orçamento, o socialista Pedro Silva Pereira disse que o ministro das Finanças assumiu «uma estratégia de confrontação com o PS».
«Todo o discurso do senhor ministro sobre o desvio orçamental do primeiro semestre [de 2011], que se provou não existir, as suas viagens a Washington onde disse que Portugal é um exemplo do que não se deve fazer, tudo isso são sinais de uma estratégia de marginalização e divergência» face ao PS, disse Silva Pereira, antigo ministro da Presidência.
«Talvez seja oportuno recordar, senhor ministro das Finanças, um livro do Asterix, em que a certa altura há um centurião romano que, depois de uma refrega com os gauleses, bate em retirada, derrotado que está, com o capacete amolgado e depois vem dizer assim: francamente, nós invadimos-lhe o território, ocupamos-lhe as casas, aumentamos os impostos e eles, sem razão, viram-se contra nós. Pois bem, a estrutura de confrontação que o senhor escolheu desde o início com o Partido Socialista é uma ameaça para o consenso político fundamental na discussão do programa».
Em resposta, Vítor Gaspar garantiu que não há «qualquer marginalização do PS».
«Posso assegurar-lhe que, do ponto de vista do Governo, do Ministério das Finanças, o PS faz parte da base de consenso que apoia a necessidade de ajustamento», afirmou Gaspar, recordando que o PS «subscreveu o memorando de entendimento». Chegou mesmo a sugerir que se sentassem juntos para «alargar a lista dos tópicos a analisar».
Gaspar disse ainda que as observações que fez sobre o fraco crescimento do país na última década e sobre a execução orçamental de 2011 «são factuais».
Silva Pereira não ficou satisfeito com as explicações de Gaspar. «Perguntei-lhe que estratégia tem para evitar um rumo de confrontação com o PS. O senhor ministro disse que está disponível. Ou seja, iniciativa política, [não tem] nenhuma», disse o deputado socialista eleito por Vila Real.
Oposição ao ataque
O deputado do PSD Nuno Reis também frisou a cooperação entre PS e Governo, elogiando o líder parlamentar socialista, Carlos Zorrinho, por se demarcar das declarações recentes de Mário Soares. O líder histórico do PS sugeriu recentemente que os socialistas devem afastar-se do memorando com a troika.
Já o centrista João Almeida acusou o PS de seguir para a esquerda e «determinar as suas orientações de acordo com o PS de Paris», numa referência ao antigo primeiro-ministro socialista, José Sócrates, que atualmente vive na capital francesa.
Por sua vez, o comunista Honório Novo mostrou o seu desagrado pelos desejos de entendimento entre PS e Governo, criticando Silva Pereira e Gaspar por «dizerem explicitamente o que costumam andar a namorar pelos corredores».
Houve um aumento de 3,7 pontos percentuais do PIB face ao final de 2012, revelam dados do Banco de Portugal