O deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, contrário à estratégia do secretário-geral de governar sem ganhar as legislativas, apoiado por BE, PCP e PEV, vai respeitar a disciplina de voto, aquando da moção de rejeição do programa do Governo, na terça-feira.

"Com certeza", afirmou, quando questionado sobre o apoio à futura moção, à saída da reunião da Comissão Política socialista, reunida desde cerca das 22:00 de domingo e que se prolongou durante quatro horas, escusando-se a adiantar mais pormenores sobre a sua intervenção no interior do Palácio Praia, no largo do Rato, em Lisboa.

Sousa Pinto, que se demitiu do secretariado nacional do PS por discordar da intenção de António Costa quanto a este acordo de esquerda, limitou-se a dizer que explicou "ao partido as razões" da sua saída daquele "órgão de direção do partido, tendo em conta a posição pessoal em relação aos méritos e legitimidade que o PS encontrou no atual momento político".

Segundo outras fontes, presentes na reunião, o parlamentar socialista evocou o nome do fundador do partido, o antigo Presidente da República e primeiro-ministro, Mário Soares, e o seu combate desde sempre face às forças políticas da extrema-esquerda, vincando a falta de "legitimidade política" para formar Governo sem um triunfo no ato eleitoral de 4 de outubro.

"O PS já se pronunciou e já sufragou de forma muito expressiva a atual orientação e, portanto, há uma larga maioria no PS favorável a esta solução de governo que foi encontrada. Como militante disciplinado compete-me conformar-me com a decisão do partido", afirmou.