O presidente da comissão de Negócios Estrangeiros e deputado socialista, Sérgio Sousa Pinto, interrogou esta terça-feira a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa sobre a situação grega, o que mereceu reparos de PSD e CDS-PP.

As questões do deputado do PS foram colocadas no início da audição de Federica Mogherini pelas comissões de Negócios Estrangeiros, Assuntos Europeus e Defesa Nacional, onde durante cerca de uma hora foram abordadas as principais prioridades da política externa da União Europeia.

Sérgio Sousa Pinto, que presidiu aos trabalhos e foi o único presidente de comissão a intervir, confessou-se «particularmente impressionado com a violência económica e a linguagem de ultimatos» lançada a Atenas e questionou Mogherini sobre «os custos económicos, políticos e históricos para a construção europeia de uma calamidade grega».

O deputado do PS afirmou que «muitos países são hoje vítimas» do «efeito assimétrico da moeda única» e que «a ideia de que esse problema não existe e que as dificuldades resultam de problemas de ordem moral é ofensiva e inaceitável».

Na resposta, a chefe da diplomacia europeia disse não querer «abordar em detalhe» a questão das negociações entre Bruxelas e Atenas, sublinhando a importância da responsabilidade neste processo e de trabalhar «calmamente e de forma reservada», mais do que «falar publicamente».

«É da maior importância utilizar o tempo com sabedoria e que evitemos desenvolvimentos negativos sobre isto, é uma questão de responsabilidade e que conta para o futuro de toda a União Europeia, não apenas da Grécia e dos cidadãos gregos», referiu a ex-ministra italiana.

O teor da intervenção de Sérgio Sousa Pinto mereceu reparos logo nas primeiras intervenções dos partidos do Governo, PSD e do CDS-PP, no período de perguntas dos deputados à Alta Representante da União Europeia.

«Estamos perante a Alta Representante, senhora Federica Mogherini, e não perante o presdidente do Eurogrupo, o senhor Jeroen Dijsselbloem, que não conheço pessoalmente, mas avaliando pela televisão e pelas fotografias acho que é esse o caso», ironizou o centrista José Ribeiro e Castro.

O antigo líder do CDS defendeu que «a atualidade europeia tem uma agenda externa muito dura e exigente», não passível de ser «distraída com outros assuntos que são importantes, mas da agenda interna da União Europeia».

Já o social-democrata António Rodrigues elogiou a resposta de Mogherini a Sérgio Sousa Pinto: «Gostava de assinalar o respeito que me mereceu o seu comentário de não comentar a política interna da União Europeia e recusar prestar opiniões pessoais sobre perguntas pessoais daquilo que acontece relativamente à Grécia».

Anteriormente, a chefe da diplomacia europeia tinha defendido, a propósito do impasse num acordo sobre o programa de assistência financeira à Grécia, a necessidade de se «fazer um bom uso do tempo» disponível.

«Não vou comentar, apenas para dizer que na diplomacia, tal como no interior da União Europeia, temos de fazer um bom uso do tempo que temos à nossa frente», afirmou a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, quando questionada sobre se será possível um acordo entre a Grécia e o Eurogrupo até ao final da semana.

O crescimento do autoproclamado Estado Islâmico e os problemas na região subsaariana e no Médio Oriente e o conflito entre a Ucrânia e a Rússia foram os principais temas que dominaram esta audição na Assembleia da República.