"Eu não consigo perceber como pode António Costa ambicionar a liderança do Governo, quando já começou hoje a perder a liderança do seu próprio partido", afirmou este domingo à noite Sérgio Figueiredo, diretor de informação da TVI, que esteve a acompanhar e a comentar na TVI e TVI24, os resultados das eleições legislativas.

As reações de alguns membros do PS às primeiras projeções eram, na opinião de Sérgio Figueiredo, reveladoras:

"Ana Gomes acabou de proferir a frase assassina que Guterres usou para afastar da liderança do PS Jorge Sampaio depois de uma derrota histórica contra Cavaco Silva. O que começámos a assistir a alguns minutos foi o início de uma marcha fúnebre"


Mas Sérgio Figueiredo disse ainda não perceber “a lógica dos partidos da oposição”, já que “quanto mais desvalorizam a votação de quem ganhou as eleições, mais se apequenam”.

E como se justifica um resultado destes? "A principal habilidade da campanha da coligação foi fazer com que fizesse parecer que o PS é que se tinha de justificar. O PS perdeu o foco e os argumentos"

Questionado sobre se António Costa pode mudar de discurso e viabilizar um governo minoritário da coligação, Sérgio Figueiredo não tem dúvidas: "António Costa ou perde o partido ou perde a palavra".

Certo é que sem maioria absoluta da coligação, o futuro não será fácil: “BE e CDU não vão viabilizar Governo, temos um grande imbróglio”.

Sérgio Figueiredo fez ainda questão de elogiar o discurso de Catarina Martins, "a estrela da campanha", acrescentando que esta tem conseguido condicionar o Partido Socialista, antecipando-se na decisões e afirmações.

Depois de ouvir o secretário-geral do PS, Sérgio Figueiredo considera que ele optou pela “resistência”.
 

"A noite de facas longas já começou no Largo do Rato, com declarações absolutamente suicidas de alguns socialistas. Pelas declarações de António Costa, ele optou pela resistência, vai ficar. Vamos ver se o deixam, se não o matarem com o mesmo veneno que ele deu a provar a António José Seguro"


Quanto ao futuro diz ainda que António Costa “optou por evitar a deriva à esquerda”, admitindo claramente que “vai viabilizar o programa do Governo”. 
 

“Poderá fazer a Passos o que Passos fez a Sócrates, que é ir desgastando. Aprova PEC 1, aprova PEC 2 e quando achar que é oportuno puxar o tapete"


Em relação à sondagem sobre as presidenciais, Sérgio Figueiredo assumiu “um conflito de interesses”. 
 

“Enquanto diretor da TVI lamento se perder um comentador residente, aproveito para esclarecer após a insinuação maldosa do deputado da CDU, que a sondagem da TVI foi a mais certeira, o que nos confere credibilidade"