O secretário-geral do PS considerou esta terça-feira «insuportável» para as contas públicas a taxa obtida pelo Estado Português na emissão de dívida a dez anos, adiantando que irá acrescentar problemas ao país.

A posição foi assumida por António José Seguro, depois de Portugal ter obtido uma taxa de juro de 5,112 por cento pelos três mil milhões de euros de dívida a 10 anos colocados numa operação sindicada que atraiu uma procura na ordem dos 9,5 mil milhões de euros.

«A taxa alcançada é insuportável para as contas públicas portuguesas», afirmou o líder socialista, salientando que a dívida pública nacional cresceu agora mais três mil milhões de euros.

Em conferência de imprensa, o líder socialista disse «não compreender onde estão as razões para o Governo festejar» o resultado da mais recente operação realizada pelo Estado Português nos mercados internacionais.

«Bem pelo contrário, infelizmente, há razões para o Governo se preocupar e, por isso, recomendaria muita prudência ao Governo. Uma taxa de cinco por cento é uma taxa insuportável para as contas públicas do país - contas públicas que queremos equilibradas», sustentou.

Ainda no que respeita à operação de hoje, o secretário-geral do PS sugeriu ao executivo que observe «o que se passa com as taxas de emissão da dívida portuguesa».

«É necessário olhar com muita prudência e com realismo para a situação do país. Em função dessa realidade do país, [é importante] tomar uma decisão na altura própria», advertiu, numa alusão à controvérsia sobre se Portugal vai necessitar de um programa cautelar ou se poderá ter uma saída limpa (tal como a Irlanda) do atual programa de assistência financeira.

António José Seguro referiu depois que, na presente conjuntura, Governo e troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) «afirmam que tudo corre às mil maravilhas no país».

«Assim sendo, Portugal deve sair deste processo [de resgate financeiro] de uma forma limpa. Se Portugal não sair de forma limpa, é conhecida a posição do PS: Tal significa que o Governo falhou num dos seus principais objetivos com o programa de assistência financeira», reiterou o líder socialista.