O secretário-geral do PS estimou que o défice será 6,3 por cento no final do ano, concluindo que os «sacrifícios» pedidos serviram para «zero», enquanto Passos Coelho desafiou os socialistas a apresentarem medidas para a redução do défice.

O valor real do défice em 2013 foi um dos pontos que gerou uma discussão mais acesa entre o secretário-geral do PS, António José Seguro, e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no debate quinzenal, na Assembleia da República.

De acordo com o líder socialista, a nova previsão para o défice até ao final de 2013 «é precisamente igual ao défice inicial deste mesmo ano, o que quer dizer que os sacrifícios que o Governo exigiu aos portugueses serviram para zero serviram para nada».

«Sem recurso a medidas extraordinárias, o défice é rigorosamente igual ao défice iniciado em 2013. Quais são as consequências que o primeiro-ministro tira?», questionou o secretário-geral do PS.

Pedro Passos Coelho não aceitou a interpretação da evolução do défice apresentada pelo líder socialista, contrapondo que se verificou uma redução do défice estrutural de 0,4 por cento, aproximando-se dos 0,5 por cento.

«De acordo com as nossas estimativas, em termos do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), o défice será de 5,5 por cento», advogou o chefe do executivo, antes de deixar um desafio ao secretário-geral do PS em matéria de redução do défice.

«Senhor deputado, para o Governo acertar mais, que medidas de corte na despesa pública o senhor gostaria que o Governo tomasse? Diga lá se fizer o favor», referiu Passos Coelho.

Seguro respondeu que, desde junho, o primeiro-ministro tem 19 páginas de propostas concretas do PS sobre estabilização da economia e crescimento e, na questão do défice, referiu que é extraordinária a despesa com a recapitalização do Banif, mas também apresentam caráter extraordinário «as receitas provenientes do perdão fiscal» que o Governo se prepara para conceder.

«O senhor já não engana mais ninguém. Pode rir-se, mas os portugueses que sofrem, a quem o senhor corta nas pensões, ou que estão desempregados, não se riem. Todas as suas medidas de austeridade custaram imenso aos portugueses não resolveram nada. Aliás, o primeiro-ministro não assume qualquer responsabilidade por aquilo que está a fazer há 28 meses», disse.