O secretário-geral do PS considerou que se deveu a fatores externos o resultado de Portugal na emissão dívida a dez anos, o que levou Passos a usar a ironia, dizendo que o executivo Sócrates «teve azar».

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, no parlamento, António José Seguro congratulou-se com o resultado obtido por Portugal na sua última emissão de dívida a dez anos nos mercados internacionais.

«O que é bom para Portugal é bom para o PS», salientou o líder socialista.

Porém, quanto às causas de fundo inerentes a esse sucesso na venda de dívida pública, Seguro atribuiu-as sobretudo a fatores externos, como a intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no combate à especulação e a existência de uma conjuntura de excesso de liquidez nos mercados internacionais.

Neste ponto, António José Seguro fez ainda questão de frisar que a meta inicial do Governo para o regresso pleno de Portugal aos mercados era setembro do ano passado, calendário que, na sua perspetiva, não foi cumprido.

Pedro Passos Coelho procurou explorar o humor para responder à interpretação defendida pelo secretário-geral do PS em relação aos motivos de Portugal estar agora a pagar juros mais baixos nos mercados internacionais.

«O PS diz que tudo o que corre bem em Portugal não se deve ao Governo, pois não pode ser e não pode ser. Por isso, o PS ainda fala da intervenção que o presidente do BCE fez em setembro de 2012. Agora, sobre o excesso de liquidez, os portugueses ficaram a saber o seguinte pela boca do secretário-geral do PS: O Governo socialista teve azar porque não havia liquidez nos mercados, o que provocou a necessidade de haver um ajustamento grande na economia», referiu, recebendo palmas das bancadas do PSD e do CDS.

Pedro Passos Coelho invocou depois «a lógica» argumentativa alegadamente usada por Seguro para tirar uma conclusão.

«É sempre melhor preferir um Governo com sorte do que com um Governo com azar», acrescentou.