Os dirigentes socialistas Francisco Assis, Ana Gomes e Pedro Silva Pereira defenderam este sábado, embora por diferentes motivos, a realização de eleições diretas para a liderança e um congresso extraordinário do PS.

A eurodeputada Ana Gomes, apoiante de António José Seguro, falou na necessidade de «clarificação» interna, mas fez duras críticas à decisão do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, de se disponibilizar para concorrer ao cargo de secretário-geral do PS, substituindo António José Seguro.

«Fiquei chocada [com António Costa]. Impulsos patrióticos já podiam ter acontecido após o PS ter perdido as eleições legislativas em 2011», declarou a eurodeputada socialista, numa alusão ao facto de Costa se ter recusado a entrar na corrida à sucessão de José Sócrates há três anos.

Sem qualquer apreciação política sobre a liderança de António José Seguro, ou sobre a candidatura alternativa de António Costa, o ex-ministro da Presidência Pedro Silva Pereira advogou que a realização de um congresso extraordinário «permitirá ao PS apresentar-se como uma alternativa forte, clara e sem questões internas».

Interrogado sobre se vai apoiar a candidatura de António Costa, o ex-braço direito de José Sócrates respondeu: «Cada coisa de sua vez». «Nesta Comissão Nacional do PS defenderei a realização de um congresso», acentuou.

Já o «número um» da lista europeia do PS, Francisco Assis, reiterou a necessidade de uma clarificação interna e insistiu no apelo à moderação no debate interno.

«Vou ouvir o que o secretário-geral do PS tem para dizer. Estamos perante uma questão política e, como tal, tem de ser resolvida politicamente. O PS vai viver agora um momento que deve clarificar o mais rapidamente possível», defendeu.

No mesmo sentido, o vice-presidente da bancada socialista Pedro Marques declarou que apoia a realização de um congresso extraordinário e recusou a ideia de que esse processo interno possa ser prejudicial ao seu partido.

«Esse argumento não é válido. Também já foi avançado antes por causa das eleições autárquicas», referiu, antes de fazer um elogio a António Costa.

«Conheço muito bem o trabalho de António Costa no Governo e na Câmara de Lisboa», disse.

Também à entrada da reunião, Jorge Seguro Sanches, membro do Secretariado Nacional do PS, traçou uma distinção entre os ritmos da comunicação social e do seu partido no processo de audição dos militantes. «São ritmos diferentes», advertiu o dirigente do PS.