O secretário-geral do PS, António José Seguro, desafia o primeiro-ministro a subscrever a iniciativa do Presidente francês com vista à realização de «uma cimeira europeia em que a prioridade seja o crescimento» económico.

«Deixo aqui um desafio ao primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho]: Para que ele, como não tomou a iniciativa, pelo menos subscreva a iniciativa do Presidente da República de França [François Hollande], no sentido de a Europa realizar uma cimeira em que a prioridade seja o crescimento».

«E que, de facto, a Europa venha a adotar medidas, não apenas discursos e belas declarações, de modo a dinamizar a economia europeia e, sobretudo, a criar condições para que a economia, como a portuguesa, possa crescer», afirmou.

O secretário-geral do PS falava aos jornalistas durante uma visita, hoje à noite, à Feira de Agosto, em Grândola.

Segundo Seguro, o presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, disse, recentemente, «que a austeridade tinha falhado e que era necessário dar-se prioridade à economia», mas é necessário passar das palavras aos atos.

«É preciso que os líderes europeus percebam uma coisa, que as palavras não resolvem os problemas das pessoas».

O que, de facto, resolve os problemas das pessoas, continuou, são «medidas concretas» e a cimeira lançada por François Hollande visa que a Europa adote, «com prioridade, o crescimento da economia».

Por isso, a cimeira merece o «aplauso» de António José Seguro, que disse ser uma «pena» que Pedro Passos Coelho «ainda não se tenha pronunciado sobre o assunto», nem que tenha vindo dizer «que apoia essa iniciativa».

«E que, sobretudo, leve medidas e propostas concretas, para que disso resulte mais crescimento, mais emprego e que se acabe com este sofrimento por que passam milhares e milhares de portugueses», acrescentou.

Questionado sobre se as metas do défice dão alguma margem de manobra, Seguro frisou que isso depende dos líderes europeus.

«Se os líderes europeus não criarem essa margem para adotar políticas que combatam o desemprego, qualquer dia a Europa não tem margem para continuar», frisou.

Segundo o líder do PS, «os milhões de europeus que estão desempregados e o mais de um milhão de portugueses desempregados não conseguem compreender que os políticos e os principais responsáveis no país e na Europa não tenham como prioridade combater o maior flagelo que existe nas sociedades, que é o desemprego».

A propósito das eleições internas no PS, que vão ser disputadas por António José Seguro e por António Costa, o líder socialista recusou comentar a marcação dos debates televisivos entre os candidatos.