O candidato socialista às primárias do PS, António José Seguro, afirmou esta sexta-feira que, na República, todos têm o mesmo voto e que o voto de um agricultor em Montalegre é precisamente igual ao de um doutor em Lisboa.

Em Montalegre, distrito de Vila Real, Seguro encontrou uma sala cheia de militantes e simpatizantes e aproveitou, por isso, para insistir no apelo à mobilização e ao voto nas eleições primárias do dia 28.

Aqui, o candidato que é também secretário-geral do PS lembrou «o valor da palavra» e frisou que «na política não vale tudo» e que «Portugal precisa de mudar».

«E sabem porque é que ninguém nos vai parar? Porque na República todos nós temos o mesmo voto e o voto de um agricultor em Montalegre é precisamente igual ao voto de um doutor em Lisboa», salientou.

No decorrer desta semana, históricos do PS como Jorge Sampaio, Almeida Santos, Manuel Alegre e Vera Jardim manifestaram apoio à candidatura de António Costa, adversário de Seguro nas primárias.

Em Montalegre, António José Seguro afirmou que a «República não tem tutelas e o PS não tem donos».

«Não, desta vez é a vez do povo. É a voz do povo que nós precisamos fazer ouvir. Desta vez vamos dizer de norte a sul, das regiões autónomas ao interior de Portugal, que há uma mudança que está nas nossas mãos e que não vamos deixar perder a oportunidade», sublinhou.

A poucas semanas das diretas, Seguro voltou a afirmar que o PS não merecia a crise aberta e considerou que esta «crise abre um precedente gravíssimo na vida do partido».

«É que se ela não for combatida, então o sinal que se dá é que no PS vale tudo. Não interessa os momentos em que há eleições, porque ficará sempre alguém à espreita de uma oportunidade para poder dar satisfação à sua ambição pessoal», sustentou.

O secretário-geral do PS disse que quer uma «democracia de confiança» em Portugal e, para isso, defendeu que é preciso «apurar todas as verdades».

«E, no caso do Banco Espírito Santo (BES), toda a verdade tem que vir ao de cima e todas as instituições da política, do Governo, da justiça, do sistema financeiro e bancário têm que assumir as suas responsabilidades para que nenhuma verdade fique escondida e nenhuma responsabilidade fique por apurar», salientou.

Seguro insistiu também numa «fronteira nítida» entre política e negócios.

O candidato diz que não é um «super-homem» e que não tem uma «varinha mágica» para resolver os problemas do país, mas confessou ter o sonho de fazer com que Portugal seja «um país próspero», «justo e solidário».

Para isso, sublinhou que a sua prioridade está a criação de emprego e de trabalho, de forma a resolver a «maior chaga social» que afeta o país.