O secretário-geral do PS disse esta segunda-feira que o Governo tem a «obrigação» de criar condições para que o país regresse aos mercados «sem necessidade de qualquer apoio», voltando a defender a necessidade de renegociar a dívida do país.

«Há uma divergência insanável» entre o PS e o Governo

«Atendendo aos pesados sacrifícios» por que passam os portugueses, o Governo tem a «obrigação» de «criar as condições para um regresso sustentável, com taxas de juros suportáveis», aos mercados, declarou Seguro em declarações aos jornalistas em São Bento, Lisboa, no final de um encontro de cerca de três horas com o primeiro-ministro.

«Se essas condições serão criadas ou não de uma forma objetiva, é algo que dentro de semanas se verá», advogou ainda o socialista.

«É obrigação do Governo, depois dos pesados sacrifícios impostos aos portugueses, criar as condições para regressar aos mercados sem necessidade de qualquer apoio. Se essas condições se verificarem, o Governo cumpriu com a sua obrigação, com o seu dever», sustentou Seguro.

Caso tal cenário - uma saída limpa do programa de resgate - não se concretize, assinalou ainda o líder do PS, o executivo «deve explicações aos portugueses» e será necessário avaliar a melhor solução que defenda os «interesses do país».

Questionado pelos jornalistas sobre o teor da reunião com Pedro Passos Coelho, Seguro disse que se falou da dívida mas não do manifesto conhecido na semana passada que apela à reestruturação da mesma e assinado por mais de 70 individualidades de vários quadrantes políticos e sociais.

O socialista lembrou, contudo, que há «muito tempo» que vem defendendo «uma renegociação da dívida» em diferentes elementos.

«Há muito tempo que venho defendendo uma renegociação da nossa dívida. E não defendo apenas oralmente, ela consta na moção que apresentei ao congresso do meu partido no ano passado», disse.

O socialista acrescentou: «O problema da dívida é um problema que atinge o nosso país de uma forma muito relevante mas também atinge outros países europeus. E por isso tem de haver uma solução europeia. Eu sou um defensor da mutualização da parte da dívida superior a 60% do PIB de todos os países da zona euro».

Enquanto uma solução europeia não se verificar, declarou ainda, o país deve renegociar a sua dívida nos seus prazos, em taxas de juro, em maturidades e em períodos de carência.

«Tem sido essa a nossa posição que agora reafirmo», concretizou Seguro.

A audiência entre Passos Coelho e António José Seguro, que arrancou pelas 18:45 e acabou perto das 22:00, deu-se na sequência do convite do primeiro-ministro ao líder do PS para analisar em conjunto o processo de conclusão do programa de assistência financeira e para a construção de uma «estratégia de médio prazo».

O primeiro-ministro enviou na sexta-feira uma carta a António José Seguro, divulgada no domingo, em que o convidou para se reunirem e analisarem «em conjunto o processo de conclusão do programa de assistência financeira» e para a construção de uma «estratégia de médio prazo».

O primeiro-ministro não falou aos jornalistas no final do encontro com o líder do PS».