O secretário-geral do PS defende um amplo consenso na sociedade portuguesa sobre o plano estratégico dos investimentos nacionais, mas criticou o Governo pelo «atraso» de dois anos na preparação do Quadro Comunitário de Apoio.

O tempo de debate sobre a aplicação dos fundos comunitários «deveria ter ocorrido em 2012 e, por culpa do Governo, o país perdeu dois anos e meio». «Queremos agora ter uma posição ponderada e, sobretudo, queremos ouvir a sociedade portuguesa», declarou António José Seguro.

O líder do PS falava aos jornalistas na sede nacional do partido, depois de ter recebido o Grupo de Trabalho para o Investimento em Infraestruturas de Elevado Valor Acrescentado (GTIEVAS), reunião que durou mais de uma hora e meia.

Nas declarações que fez aos jornalistas, o secretário-geral do PS referiu que o país beneficiará de um elevado volume de investimento até 2020, cerca de 20 mil milhões de euros, sendo «uma oportunidade única para Portugal aproveitar bem esses recursos e para os investir».

«A maior parte do investimento vai ocorrer já na vigência do próximo Governo. Portanto, é natural que o PS e eu em particular queiramos conhecer todas as propostas que estão em cima da mesa», advertiu, antes de considerar que o atual executivo PSD/CDS-PP «não fez o trabalho de casa».

«Lamentamos que todo este processo tenha começado tardiamente, porque já se devia estar perto de executar fundos comunitários. Este trabalho deveria ter sido iniciado em 2012, com um grande debate público na sociedade portuguesa para que houvesse já execução em 2014», sustentou o líder socialista.

Sobre a aplicação dos fundos comunitários até 2020, o secretário-geral do PS defendeu que o objetivo cimeiro deverá ser o aumento da competitividade da economia portuguesa para a criação de emprego.

Por outro lado, segundo António José Seguro, «é preciso que exista convergência» política, mas também convergência com os parceiros sociais e regionais em torno dos investimentos públicos.

«Não podemos ziguezaguear. Temos de ter um quadro de referência para os investidores, quer portugueses, quer estrangeiros. Os investidores têm de saber onde se situam os portos, aeroportos, as principais redes ferroviárias e rodoviárias e os centros de logística. Isto é importante para se garantir um investimento mais racional», advogou o líder socialista.

Interrogado sobre o estudo sobre investimentos prioritários em infraestruturas apresentado pelos membros do GTIEVAS, Seguro referiu que o PS só agora o poderá começar a analisar.

«Mas este estudo ainda não tem por exemplo uma análise custo/benefício no que respeita a cada um dos projetos, nem impactos ambientais, o que é muito importante», justificou.

De acordo com o líder socialista, o estudo do GTIEVAS «é um contributo que o PS recebe, conjuntamente com outros contributos e com o trabalho que o partido tem estado a fazer».

«É preciso que o país defina com estabilidade, racionalidade e solidez os investimentos públicos que vai fazer, garantindo que serão sustentáveis», acrescentou António José Seguro.