O secretário-geral do PS considerou, este sábado, que a ausência no Governo de «uma só voz» e de uma posição firme sobre a meta do défice para 2014 prejudica a posição negocial portuguesa perante as instituições europeias.

António José Seguro falava aos jornalistas após uma visita à Feira da Transumância, na freguesia de Fernão Joanes, na qual esteve acompanhado por candidatos socialistas à presidência da Câmara da Guarda.

Depois de se ter cruzado à entrada da feira com o candidato social-democrata àquela autarquia, o ex-secretário de Estado Álvaro Amaro, o líder socialista afirmou aos jornalistas que não estava surpreendido nem com os recentes dados que apontam para um novo aumento do desemprego em Portugal, nem com as reservas levantadas pelo Eurogrupo a uma eventual nova flexibilização da meta do défice de Portugal em 2014, designadamente de quatro para 4,5 por cento no próximo anos.

«Não me surpreende [a posição dominante no Eurogrupo], porque o Governo português não fala a uma só voz sobre essa matéria. Sobre uma negociação tão importante, não se conhece qual a posição do Governo português. É a do primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho]? É a do vice-primeiro-ministro [Paulo Portas] ou a da ministra das Finanças [Maria Luís Albuquerque]?», questionou o secretário-geral do PS.

Neste ponto, referente às metas do défice até ao final do programa de ajustamento, António José Seguro considerou essencial que o executivo português «tenha uma posição única».

«Deveria haver uma posição única sobre uma matéria tão importante, uma posição firme e conhecida de todos os portugueses - e o PS tem essa posição. Há dois anos que o PS defende mais tempo no processo de equilíbrio das contas públicas, porque é necessário parar com a política de cortes na educação, na saúde e nas pensões, acabar com os despedimentos e apostar no crescimento económico», contrapôs.

António José Seguro lamentou depois os últimos dados sobre a evolução do desemprego em Portugal. «Os mais recentes dados do desemprego não me surpreenderam. Quando o objetivo do primeiro-ministro é empobrecer o país, significa que em Portugal haverá menos emprego», disse.

Confrontado com a acusação de que foi alvo por parte do vice-presidente e porta-voz do PSD, Marco António Costa, segundo a qual o PS está a procurar gerar tensão na campanha eleitoral das autárquicas, António José Seguro respondeu que está «a percorrer o país, a escutar os portugueses e a conhecer os seus problemas para apresentar soluções». «É isso que tenho vindo a fazer», sustentou.

Segundo Seguro, neste momento, «os portugueses querem menos palavras e mais soluções para resolver os seus problemas».

O secretário-geral do PS desafiou também hoje o primeiro-ministro a pronunciar-se sobre o caso da destruição de arquivos referentes à celebração de contratos swap pelo Estado português e exigiu o imediato apuramento de responsabilidades.

«Penso que se trata de uma situação de enorme gravidade. Devem ser apuradas as responsabilidades de quem destruiu esses dossiês», vincou.

Seguro afirmou mesmo que este caso relacionado com a destruição de processos sobre contratos swaps «não pode ficar assim» sem apuramento de responsabilidades. «Isto não pode ser um caso em que se fala e fala e depois não há apuramento de responsabilidades. Foram destruídos dossiês com informação relevante. O que o primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] tem a dizer sobre esta matéria?» questionou.