O ex-ministro das Finanças Campos e Cunha manifestou, segunda-feira à noite, o apoio à candidatura de António Costa à liderança do PS, classificando-o como a «pessoa indicada» para pôr o país a crescer e baixar o desemprego.

O ex-ministro das Finanças do governo de José Sócrates, que se demitiu do cargo quatro meses após a posse, apareceu numa sessão de apresentação da candidatura do presidente da câmara de Lisboa à liderança do PS, em Torres Vedras, para classificar António Costa como «a pessoa indicada para liderar o processo de mudança, para pôr o país a crescer e para pôr o emprego a aumentar e o desemprego a diminuir».

«António Costa pode liderar a mudança que os portugueses exigem e que Portugal necessita», sublinhou.

Luís Campos e Cunha insistiu, por outro lado, na necessidade de o país «pagar de vez» as suas dívidas para poder entrar numa trajetória de crescimento económico.

«Temos de trabalhar no sentido de criar as condições para termos uma política orçamental disciplinada e pormos a economia a crescer, que é a melhor forma de pagarmos a dívida que devemos aos nossos credores», afirmou Luís Campos e Cunha aos jornalistas, um dia depois de António José Seguro vir falar da necessidade de renegociar as condições de pagamento da dívida.

«Portugal não pode viver do endividamento, tal como as famílias não podem, e Portugal não pode olhar para a Europa como sendo uma espécie de conferência de São Vicente de Paulo a quem se pede dinheiro e se mendiga caridade», sublinhou.

Na sua perspetiva, o que é preciso resolver «não é o problema orçamental, mas sim a necessidade de pôr Portugal a crescer».

Falando também da necessidade de uma estratégia de crescimento, o candidato às eleições primárias do PS afirmou que é preciso «romper com a estagnação que se arrasta desde 2000» e que tem levado o país a reagir «aos solavancos».

«O país não pode continuar com avanços e recuos, não pode passar o tempo a ter golpes de inspiração, que depois não conduzem ao sucesso esperado, que geram nova instabilidade, nova mudança, novo recomeço, outra inspiração e outro impulso», considerou, para afirmar que «a situação do país não permite prometer resultados fáceis nem de curto prazo».

Costa defendeu, por isso, que é necessário «um Governo forte e um PS forte».

Divergências internas à parte, António Costa apelou a uma campanha interna «com toda a elevação e consideração e grande respeito mútuo entre todos».

«No dia a seguir às eleições, todos continuaremos a estar no PS e o PS tem de contar com todos, por isso não podemos fazer as asneiras de que amanhã nos poderemos arrepender», concluiu.