O secretário-geral do PS, António José Seguro, desafiou o primeiro-ministro a explicar quais são as informações que possui sobre o caso Banco Espírito Santo (BES), reagindo assim às palavras de Passos Coelho de sexta-feira.

«Fiquei surpreendido que o primeiro-ministro tivesse tido dificuldade em falar na palavra BES», afirmou Seguro, em Sines, numa declaração aos jornalistas, acrescentando que Passos Coelho «precisa de vir explicar ao país, com clareza, quais são as informações que ele tem sobre este caso».

Na sexta-feira, na Festa do Pontal, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, disse que se «vivia com uma economia em que certos privilégios se iam reproduzindo de ano para ano, por quem estava no Governo e por quem estava na banca e financiava a economia».

«Vamo-nos apercebendo bem dos privilégios - para não dizer da falta de ética - de muita gente que vivia entre a política e os negócios e os negócios e a política», referiu.

António José Seguro reiterou que «nenhuma verdade pode ficar por apurar, nenhuma responsabilidade pode ficar por apurar».

«Os responsáveis no caso BES têm que ser responsabilizados, isto é, não pode passar com o tempo, nem pode prescrever. Se há matérias que são assunto da Justiça, todos nós devemos trabalhar para que não haja mais prescrições, como houve recentemente com um ex-banqueiro», defendeu.

Para o líder do PS, «o caso BES não é o caso apenas de um banco, nem é um caso do sistema bancário português, é um caso da Democracia».

«Ou a Democracia, com todas as suas instituições, da Justiça e da Política, esclarece com total verdade os portugueses sobre aquilo que se passou, ou então os portugueses têm razões a ter desencanto e desilusão e a confiarem menos nas instituições do Estado de Direito Democrático em Portugal», disse.