António José Seguro foi reeleitosem oposição secretário-geral do PS na última etapa interna antes das legislativas, depois de António Costa ter recuado na apresentação de uma alternativa, num ano em que Sócrates regressou à intervenção política.

Em 2013, António José Seguro ultrapassou com sucesso os dois principais obstáculos que se colocavam à sua liderança: a 14 de abril foi reconduzido no cargo de secretário-geral com mais de 96 por cento dos votos dos militantes socialistas; e a 29 de setembro o PS venceu as eleições autárquicasem número de votos (36,26 por cento) e conquistou o maior número de câmaras de sempre (150 em 308).

O secretário-geral do PS acentuou a sua clivagem face ao Governo, apresentando logo no início de abril uma moção de censura na Assembleia da República.

Por pressão do Presidente da República, Cavaco Silva, a direção do PS ainda se sentou à mesa com o PSD e CDS no final de julho, mas as conversações foram interrompidas sem qualquer princípio de acordo ao fim de seis dias de intensas reuniões.

«O PSD e o CDS inviabilizaram um compromisso de salvação nacional. Este processo demonstrou que estamos perante duas visões distintas e alternativas para o nosso país», assim justificou o secretário-geral do PS a rutura nas negociações com as forças da maioria governamental.

Com eleições europeias previstas para maio, esse afastamento entre os partidos do arco da governabilidade deverá manter-se em 2014.

Para o efeito, a direção do PS já avisou que admite levar até ao Tribunal Constitucional algumas das medidas de austeridade do Orçamento para 2014 e que considerará uma derrota do Governo caso Portugal recorra a um eventual programa cautelar da União Europeia após junho de 2014.

O regresso de Sócrates

Em 2013, na área dos socialistas, registou-se ainda o regresso do ex-primeiro-ministro José Sócratesà intervenção pública, primeiro com um programa de comentário político aos domingos na RTP, onde se tem destacado pelos permanentes ataques ao Governo e ao Presidente da República, depois com a edição de um livro sobre a tortura nas democracias ocidentais.

Se em relação ao Governo Sócrates e Seguro defendem basicamente a mesma linha de ataque às políticas de austeridade e a um alegado «neoliberalismo» ideológico, o ex-primeiro-ministro vai mais longe nas críticas ao Presidente da República, acusando-o de ser «a mão invisível» que derrubou o seu segundo executivo em abril de 2011.

No que respeita ao PS, José Sócrates tem evitado até agora críticas a Seguro, mas, em entrevista à RTP, justificou o seu regresso à intervenção política precisamente com o facto de a atual direção socialista estar apenas concentrada no presente e no futuro - «uma atitude nobre que [no entanto] deixou que a narrativa feita pelos adversários políticos estivesse sozinha em campo». «Quem tem de defender a minha governação sou eu, e estou aqui para o fazer», disse José Sócrates.

Bem mais direto nas apreciações face à conduta política do atual PS tem sido o ex-Presidente da República Mário Soares, que já organizou duas conferências tipo «frente de esquerda» contra o Governo e que chegou a ameaçar que haveria uma vaga de demissões no PS caso a direção de Seguro tivesse assinado com o PSD e CDS o compromisso de salvação nacional proposto por Cavaco Silva.