A oposição acusou esta terça-feira a maioria de impedir cidadãos de assistirem à audiência do respetivo ministro na comissão parlamentar de Segurança Social e Trabalho, agendada para 13 de janeiro, enquanto PSD e CDS-PP aprovaram a transmissão televisiva em direto.

Segundo os deputados Nuno Sá (PS) e Jorge Machado (PCP), o presidente da referida comissão, o social-democrata José Manuel Canavarro, respondeu a dezenas de solicitações de cidadãos, alguns alegadamente pertencentes a comissões de trabalhadores que queriam assistir à audição de Mota Soares, argumentando não haver condições físicas para os receber.

Os parlamentares socialista e comunista afirmaram ter sugerido que a audição de Mota Soares, solicitada potestativamente pelo PS, decorresse na sala do Senado em vez de nas habituais salas de reunião para albergar mais pessoas, mas viram ser aprovada por PSD e CDS-PP a deliberação apresentada por Canavarro, no sentido de garantir a cobertura pelo canal de televisão da Assembleia da República.

Nuno Sá e Jorge Machado lamentaram o sucedido e criticaram a maioria por «fechar as portas da casa da democracia aos cidadãos» e Mota Soares «de fugir o mais possível ao escrutínio público», numa audiência em que estará em debate o processo de requalificação de cerca de 700 trabalhadores da Segurança Social, perspetivado pela oposição como uma forma eufemística de despedimento coletivo.

«Despedimentos» na Segurança Social contribuem para «falência dos serviços públicos»

A porta-voz do BE afirmou já esta terça-feira que «o despedimento coletivo» de 700 trabalhadores na Segurança Social reflete-se na «falência dos serviços públicos» e «é o início de um plano» do Governo para dispensar mais 12500 pessoas.

As posições de Catarina Martins foram assumidas nas declarações aos jornalistas no final de uma reunião com o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, na sede da Intersindical.