As três primeiras audições aos arguidos no caso dos vistos gold terminaram, este sábado, 12 horas depois de começarem. Serão retomadas já este domingo, pelas 9:00.

Vistos gold: o que são, quantos foram atribuídos e a quem

O longo interrogatório começou com o diretor do SEF. Manuel Palos ficou a saber que está indiciado por crimes de corrupção passiva. Segundo apurou a TVI no local, terá intercedido em pelo menos cinco situações em que foram pedidos cinco vistos gold. 

De acordo com o Ministério Público, escutas telefónicas revelaram que Manuel Palos terá sido contactado pelo presidente do Instituto dos Registos e Notariado, que lhe terá pedido que agilizasse alguns processos que trariam elevados investimentos para Portugal. 

Outras escutas revelam que terá sido oferecido ao presidente do SEF duas garrafas de vinho e um valor de 5 mil, uma percentagem pelo visto, que não se sabe se se refere a dinheiro, ou a outros valores. 

Para além do diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras foram ouvidos, este sábado, também um funcionário do 
Instituto dos Registos e Notariado e um dos três arguidos chineses, com auxílio de uma tradutora.

Falta, ainda, ouvir os restantes oito arguidos, que foram detidos na sexta-feira, no âmbito desta investigação. As diligências serão retomadas este domingo, logo pela manhã, às 9:00.

Todos os arguidos estão a ser ouvidos em separado. A ideia do juiz Carlos Alexandre é evitar concertação de estratégias de defesa. Só no final de todas as audições é que serão conhecidas as medidas de coação. Vale a pena lembrar que não há, neste momento, acusação. Está a proceder-se, sim, à fase de inquérito.

Outra das notícias recentes dão conta de que foi constituído arguido um funcionário da agência da Caixa de Crédito Agrícola de Tabuaço, distrito de Viseu, que teria, alegadamente, conhecimento do esquema relacionado com os vistos dourados. A TVI sabe que Carlos Alexandre, juiz titular do processo, esteve pessoalmente nesta dependência bancária para se inteirar, pessoalmente, sobre os depósitos feitos por António Figueiredo, presidente do Instituto dos Registos e Notariado.

A edição deste sábado do semanário «Expresso» avança, por sua vez, que a  Polícia Judiciária apanhou o diretor do Serviço de Informações de Segurança (SIS), Horácio Pinto, a ajudar um dos suspeitos no caso dos vistos gold, o presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo. O SIS reagiu à notícia dizendo que esteve efetivamente no IRN, mas a fazer «uma limpeza eletrónica», a pedido do presidente desta entidade, «fora do horário de expediente» o que, assegura, está dentro da lei.

O caso já provocou demissões de membros do Governo, como a secretária-geral da Justiça, que foi detida, e a secretária-geral do Ambiente, que foi alvo de buscas. O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, também terá pedido a demissão, mas esta foi «travada» pelo primeiro-ministro

O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, veio já dizer que a Procuradoria-Geral da República «foi clara»:  «Não há investigação sobre membros do Governo». 

Marques Mendes, que é sócio de uma empresa que está a ser abrangida pela investigação, rejeita qualquer ligação ao caso. «Quem não deve, não teme», afirma.