Foi com “enorme estranheza” que o PSD recebeu a notícia do pedido de exoneração, entretanto já aceite pelo primeiro-ministro, dos três secretários de Estado envolvidos no caso das viagens pagas pela Galp a governantes  para irem ver jogos do Euro 2016. O caso rebentou há um ano, mas só agora teve esta consequência política.

“O PSD queria manifestar antes de mais a sua enorme estranheza pelo momento político em que estas demissões destes três secretários de Estado são conhecidas. De facto, nós não compreendemos o que é que se alterou desde há um ano a esta parte”, começou por dizer o deputado aos jornalistas.

Para o principal partido da oposição, "as razões éticas, morais e políticas que existiam há um ano para a eventual demissão dos governantes que estavam envolvidos nas viagens ao Euro pagas pela Galp mantêm-se exatamente da mesma forma hoje”.

Portanto, não se compreende porque é que se escolheu o momento do dia de hoje para estas demissões e porque é que essas demissões, ou uma atitude mais drástica não foi tomada há um ano. Não sabemos se foi algum ‘focus group’ ou alguma técnica de 'marketing' política que aconselhou que fosse este exatamente o momento”

Por esse motivo, Abreu Amorim disse que “agora é a vez de o PSD fazer perguntas”, questionando: “O que é que se alterou? O que é que aconteceu?”.

Se há razões que têm a ver com uma eventual investigação judicial, elas têm que ser ditas preto no branco, têm que ser esclarecidas. Se há razões de ordem política ou de ordem ética que fazem com que neste momento esta situação seja tão grave que se fala na demissão destes três secretários de Estado, e já há órgãos de comunicação a falar até na demissão de outros governantes, o PSD julga que o país tem o direito a saber porquê”.

O PSD quer que haja o devido esclarecimento e resolução desta situação, caso contrário "são demissões que só vão provocar mais inquietação, mais angústia, mais dúvidas, em vez de esclarecer, que era exatamente isso que deveria estar a ser feito”.

Porquê agora? O que é que leva a que neste momento, com o país a viver a situação em que está, o que é que leva a que estas demissões possam acontecer e (…) eventualmente outras demissões possam acontecer também? Nós queremos saber aquilo que se passa”

Também o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel tinha já reagido à notícia, acusando António Costa de atuar "ao retardador" neste caso, e antecipando que mais demissões deverão ocorrer no Ministério da Administração Interna, a propósito das consequências do incêndio de Pedrógão Grande.

Já o CDS-PP defendeu hoje que "teve razão" quando exigiu as demissões dos secretários de Estado da Internacionalização, dos Assuntos Fiscais e da Indústria e considerou inevitável a saída dos ministros da Defesa e da Administração Interna.