O candidato à liderança do PS, Daniel Adrião, defendeu esta terça-feira a separação dos cargos de secretário-geral socialista e de primeiro-ministro e acusou a atual direção do seu partido de atuar de forma fechada.

Estas posições foram transmitidas por Daniel Adrião na sede nacional do PS, em Lisboa, após ter formalizado junto do presidente deste partido, Carlos César, a sua candidatura ao cargo de secretário-geral dos socialistas.

Que fique claro, sem tibiezas: Defendemos que o nosso camarada António Costa, inequívoco vencedor das primárias do PS para candidato a primeiro-ministro, deve continuar a merecer a confiança dos militantes e cidadãos para liderar o Governo. Mas propomos a não acumulação de funções de direção executiva no partido com cargos governamentais", declarou o membro da Comissão Política dos socialistas em conferência de imprensa.

Daniel Adrião advogou, neste contexto, que "o PS precisa de um secretário-geral 100% dedicado ao partido, tal como tem um primeiro-ministro 100% dedicado ao país".

Entendemos que o PS merece um secretário-geral em dedicação exclusiva, que seja efetivamente escolhido pelas bases do partido e não uma solução de recurso sem verdadeira legitimidade democrática", disse, antes de fazer uma alusão crítica ao cargo de secretária-geral adjunta assumido por Ana Catarina Mendes.

"Geringonça" aprovada

Na conferência de imprensa, Daniel Adrião defendeu a atual solução de Governo minoritário socialista apoiado no parlamento pelo Bloco de Esquerda, PCP e PEV, mas logo a seguir lamentou que António Costa "não consiga cumprir por inteiro as suas funções de secretário-geral do PS".

Foi encontrada a figura da secretária-geral adjunta [Ana Catarina Mendes] para substituir o líder nas suas responsabilidades. Mas esta solução tem um défice de legitimidade e de democraticidade", disse.

Perante os jornalistas, Daniel Adrião fez também várias críticas à cúpula partidária pelo atual estado do PS, dizendo que este partido "se encontra numa situação de grande fragilidade e insustentabilidade, na perceção do militante e do cidadão, particularmente do ponto de vista da liderança, dos processos eleitorais, da fiscalização, da transparência, da prestação de contas e responsabilização perante os militantes e a comunidade".

O PS, completou, deve ser "um partido de convicções mas não de taticismos, cargos e caciques".

Nesse sentido, o dirigente socialista de Alcobaça referiu que um dos pontos centrais da sua moção política de orientação, que será debatida e votada no Congresso Nacional do PS, que se realiza na Batalha, Leiria, entre 25 e 27 de maio, pressupõe uma "mudança de paradigma" ao nível do funcionamento interno do seu partido.

Neste ponto, voltou a reivindicar a necessidade de o PS adotar eleições primárias abertas a simpatizantes nos processos de escolha do secretário-geral, candidato a primeiro-ministro, deputados e eurodeputados, candidatos a presidentes de câmaras, de governos regionais ou de juntas de freguesia.

PS "cresce na pluralidade" 

Já o presidente do PS, Carlos César, após receber a moção de estratégia de Daniel Adrião, que será alternativa à do secretário-geral, António Costa, defendeu que o seu partido "cresce na pluralidade".

Todos os contributos para o reforço dos mecanismos de democracia interna e de esclarecimento são importantes, como é o caso da candidatura de Daniel Adrião. Como presidente do PS compete-me saudar todos os intervenientes e proponentes nesta fase de pré-congresso", considerou Carlos César.

O presidente do PS considerou ainda que a moção de Daniel Adrião, que se assume como alternativa à do atual secretário-geral e primeiro-ministro, "é uma demonstração pública da liberdade e da forma como os socialistas prezam o pluralismo".