O secretário de Estado do Ambiente apontou a recuperação das praias do concelho de Caminha afetadas pela agitação marítima do inverno como um «exemplo» no país de «diálogo e cooperação entre administração central e os municípios».

«Foi sem dúvida um exemplo nacional porque se conseguiu fazer várias obras, num curto espaço de tempo, antes do início da época balnear. Já havia este diálogo e colaboração entre a sociedade Polis Litoral Norte e as autarquias, mas, atendendo aos estragos do último inverno, houve um esforço maior de aproximação e diálogo entre as autarquias e a administração central e conseguimos a tempo fazer as obras necessárias», sustentou Paulo Lemos.

Assim, afirmou, estão reunidas as condições para que a época balnear «funcione dentro da normalidade possível».

O governante falava no final de uma visita às intervenções realizadas na praia de Moledo, onde foi reabilitado o paredão, e em Vila Praia de Âncora, onde as obras devolveram o rio Âncora à sua foz, após a destruição do inverno passado.

O investimento nas duas empreitadas rondou um milhão de euros.

O autarca socialista de Caminha também realçou que neste caso «o Governo esteve à altura das circunstâncias» e manifestou «orgulho» pelo trabalho feito, que vai permitir hastear, no próximo dia 28, as três bandeiras azuis atribuídas ao concelho.

«Depois de um inverno que derrubou um paredão da praia de Moledo e alterou a foz do rio Âncora, em Vila Praia de Âncora, nós hoje temos as praias em condições para receber as pessoas. Isso acontece porque o Governo foi sensível ao apelo das populações e a câmara conseguiu, numa penada, juntar todas as energias para resolver os problemas», afirmou Miguel Alves.

A empreitada, iniciada a 16 de maio passado, de recolocação das pedras do paredão da praia de Moledo, com 70 anos, arrancadas em março último, terminou há mais de duas semanas.

A intervenção inclui ainda a recomposição, mais a norte, do cordão dunar, mas sem interferência na época balnear.

Definidas como urgentes desde 2011, estas obras estão orçadas em cerca de 378 mil euros e são financiadas a 85% pelo Programa Operacional Temático Valorização do Território (POVT).

O montante restante (15%) é assegurado pelo Fundo de Proteção de Recursos Hídricos (FPRH).

Em Vila Praia de Âncora, a primeira fase dos trabalhos de devolução do rio Âncora à sua foz natural também está concluída.

Esta empreitada, orçada em cerca de 23 mil euros, ainda provisória tendo em conta que os trabalhos de fundo só arrancam em setembro, incluiu a estabilização das margens do rio e a abertura de duas valas naturais em simultâneo.

A obra definitiva de recomposição da duna, com cerca de sete metros de altura e alvo de uma candidatura a uma nova linha de financiamento comunitário ao abrigo do Programa Operacional de Valorização do Território (POVT), vai custar mais de 900 mil euros.

Obras na praia de Ofir, em Esposende, concluídas sexta-feira

Paulo Lemos, assegurou que as primeiras obras na praia de Ofir, em Esposende, para criar condições mínimas para a época balnear estarão concluídas na sexta-feira.

«A informação que eu tenho é que as obras em Ofir acabam na sexta-feira», disse Paulo Lemos, em Caminha.

Fustigada pelo mau tempo do último inverno, a praia de Ofir, mesmo junto às três torres de apartamentos, ficou praticamente sem areal, além de o passadiço de acesso ter sido destruído.

As obras em curso passam pela criação de um acesso provisório e pela ripagem das areias, reconstituindo assim parte do areal que o mar engoliu.

Neste momento, e apesar de a época balnear ter começado a 15 de junho, a praia, entre o molhe sul e a torre mais a norte, está fechada para obras, com o areal preenchido por máquinas e camiões, uma situação que já motivou protestos de concessionários e veraneantes.