Por: Catarina Pereira | 23- 6- 2010 15: 46
Por «obediência» ou «compromisso». É desta forma que vários deputados socialistas contactados pelo tvi24.pt justificam
o voto contra os diplomas da oposição que pretendem revogar a aplicação do dispositivo de identificação electrónica nas auto-estradas
que passarão a ter portagem. Voto esse que mereceu a disciplina do PS.
O dilema foi colocado: como é que um deputado eleito pelos círculos
de Viana do Castelo, Braga, Porto e Aveiro - distritos abrangidos pelas SCUT que passarão a ser portajadas a partir de 1 de
Julho, salvo se a proposta
de José Sócrates avançar - vai seguir os passos do partido contrariando os seus eleitores, que continuam a manifestar-se
quase diariamente contra estas portagens?
«Do ponto de vista constitucional, nós somos eleitos por distritos, mas
somos deputados nacionais. Para o distrito que eu represento o processo poderá constituir um problema, mas eu não posso perder
a visão nacional do assunto», explicou Maria de Belém, eleita por Aveiro.
Para a socialista, há claramente o «risco»
dos eleitores interpretarem o seu mandato de uma forma regional, mas a «obediência» ao grupo parlamentar do PS fala mais alto.
É uma «regra» do Parlamento, sublinhou, e, por isso, vai votar contra esta quinta-feira.
Já a deputada Rosalina Martins,
eleita por Viana do Castelo, explicou que tudo se deve ao «compromisso» assumido desde a campanha. «Nós assumimos que não
queríamos portagens nas auto-estradas totalmente do distrito e vai continuar a não haver», disse, referindo-se à A27, que
liga Viana do Castelo a Ponte de Lima.
Só que no caso da A28 estão envolvidos também os distritos do Porto e de Braga,
pelo que a socialista já não se comprometeu com o mesmo. Ainda que esteja «solidária» com os concelhos mais afectados ¿ Viana,
Caminha e Cerveira -, Rosalina Martins frisou a «injustiça» de outros concelhos já estarem portajados com a A3.
Quanto
à posição de Defensor Moura, que vai furar a disciplina de voto, a socialista lembrou que o deputado já foi presidente da Câmara
de Viana do Castelo e que está a defender os «interesses» apenas deste concelho. «As pessoas não se podem sentir enganadas,
porque eu deixei sempre clara a minha posição», concluiu.
Noutra posição está a deputada independente Maria do Rosário
Carneiro, eleita pelas listas do PS no Porto, que, embora ainda não tenha decidido em que sentido vai votar esta quinta-feira,
frisou que só tem disciplina de voto em três matérias: «Orçamento de Estado, programa do Governo e moções de censura.»
Aliás,
também a independente Teresa Venda, eleita pelas listas do PS em Braga, está exactamente na mesma posição.
E
o leitor? Concorda que os deputados devem pensar de maneira «nacional» ou «regional»? O que pensa da disciplina de voto do
PS e de que maneira acha que os deputados eleitos pelos distritos afectados deviam votar?
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