A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, disse  que no próximo debate da Assembleia da República sobre saúde, que se realiza na quinta-feira, o partido vai pedir “contas do dinheiro dos contribuintes” ao Governo.

Em debate estarão as condições do tratamento das pessoas quando chegam ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), às urgências, os cuidados básicos e os cuidados continuados, disse Catarina Martins à Lusa, tendo especificado: “também pedimos contas do dinheiro dos contribuintes, que em vez de estar a garantir o acesso universal à saúde e à prestação de cuidados, está a ser utilizado para financiar o negócio dos hospitais privados”.


O debate de urgência de quinta-feira na Assembleia da República (AR) vai abordar a “situação da saúde em Portugal” e foi pedido pelo grupo parlamentar do BE.

Em declarações à agência Lusa à porta do Hospital Garcia de Orta, em Almada, a porta-voz bloquista acusou o Governo de ir “mais longe no desinvestimento no SNS e no investimento no setor privado do que alguém julgaria possível em Portugal”, considerando que “as camas de internamento que foram retiradas ao Serviço Nacional de Saúde foram entregues pagando aos privados com dinheiro do Serviço Nacional de Saúde”.

Catarina Martins sublinhou que “a rutura nas urgências é um sintoma da falta de meios”, devido aos “quatro anos de desinvestimento deste Governo”, que faz com que “muitos médicos mais velhos optem pela reforma e muitos médicos mais jovens optem por emigrar”.


O Bloco de Esquerda realizou esta terça-feira uma iniciativa no Hospital Garcia de Orta na qual distribuiu cópias da “carta dos direitos do utente”, aprovada em 2009, e colocou uma versão aumentada do documento na porta das urgências daquela unidade de saúde.

Em causa está, segundo o BE, o incumprimento por parte deste hospital da “carta dos direitos do utente” no que diz respeito à necessidade das pessoas serem acompanhadas quando se deslocam às urgências.

“A situação de rutura das urgências é hoje de tal ordem, e é também tanto o esforço do Governo para esconder da população o que se passa, que, aqui no hospital Garcia da Orta, os utentes estão a ser proibidos de ser acompanhados como é seu direito instituído na carta dos direitos dos utentes”, declarou Catarina Martins, acrescentando que as pessoas “têm de ser tratadas de forma digna, de forma humana e não podem ser abandonadas”, como cita a Lusa.