O PS pediu esta sexta-feira explicações ao Ministério da Saúde sobre a «demissão em bloco» de médicos da Urgência do Hospital do Litoral Alentejano (HLA), alegando que esta situação decorre de um «problema estrutural sobejamente conhecido da tutela».

Numa pergunta formulada ao Ministério da Saúde (MS), entregue esta sexta-feira no parlamento, os cinco deputados socialistas eleitos pelo círculo de Setúbal questionam «se é verdade» que «o serviço de Urgência é assegurado dias seguidos apenas por um médico».

Os deputados querem igualmente saber «se é verdade que existem faltas de materiais, como referem os Chefes de Equipa demissionários» ou «qual o tempo médio de espera dos doentes triados como verdes ou amarelos na urgência».

No documento, o PS alude à «demissão em bloco dos 16 Chefes da Equipa de Urgência» do HLA, em Santiago do Cacém, apesar de o conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) apenas confirmar à Lusa que foram «14» os clínicos que recusaram continuar a assumir a Chefia da Equipa.

Os médicos, através de abaixo-assinado divulgado na quinta-feira, alegaram a «degradação contínua das condições de trabalho no Serviço de Urgência, quer em termos de falta de material, quer em termos de falta de pessoal».

Também na quinta-feira, o conselho de administração da ULSLA, na qual o HLA está integrado, recusou a acusação de «degradação» da Urgência.

Os deputados socialistas por Setúbal referiram hoje que, a propósito do HLA, foram dirigidas duas perguntas ao ministro da Saúde, Paulo Macedo, «em fevereiro e em junho» do ano passado, e que houve «resposta à primeira pergunta».

Nela, continuaram, «são confirmados os problemas identificados, mas não são apontadas soluções para os problemas que acabaram por levar à demissão dos Chefes de Equipa, o que demonstra que este problema estrutural daquele hospital é sobejamente conhecido da tutela».

O PS recorda ainda que estas demissões no HLA não são as únicas que aconteceram no distrito de Setúbal, no setor da Saúde, pois, a estas «acrescem as demissões dos Chefes de Equipa de Urgências do Hospital Garcia de Orta [Almada], há um mês atrás», situação que «ainda não se encontra resolvida, apesar de estas chefias se terem mantido em funções».

Na pergunta formulada agora ao ministro Paulo Macedo, os deputados querem ainda saber «quantos médicos, enfermeiros e auxiliares existem atualmente em funções» no HLA, assim como os números de baixas no corpo médico, de especialistas existentes por serviço e de vagas de especialistas e de que especialidades se encontram por ocupar.

«Qual a taxa de ocupação de camas do internamento das especialidades médicas, bem como da unidade de paliativos» e se existem casos em que as camas desta última unidade «têm de ser utilizadas para doentes agudos», assim como «qual a percentagem de entradas para internamento, a partir da Urgência», são as outras perguntas.