O Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi esta quarta-feira o pretexto para deputados da maioria e oposição esgrimirem argumentos e acusações, alguns com contornos pessoais, sobre o que consideram ser o melhor e o pior da saúde em Portugal.

Ao longo de quatro horas, os deputados denunciaram, ou desmentiram, consoante representavam a maioria no poder, ou a oposição parlamentar, as informações que nos últimos tempos têm dominado o setor, questionando o ministro Paulo Macedo sobre estes temas.

A propósito do tempo de espera nas urgências hospitalares, os deputados Catarina Marcelino (PS) e Miguel Santos (PSD) envolveram-se em diálogo, com a primeira a garantir que testemunhou o elevado número de horas de espera no Hospital Garcia de Orta, em Almada, e o segundo a limitar-se a responder: «Eu não acredito em si...».

O mesmo deputado social-democrata revelou-se especialmente comentador das intervenções da oposição, tendo respondido à deputada Paula Santos, que apelava ao Governo para conhecer o país real, que «o país real não é só o Seixal».

Também Paulo Macedo optou por comentar a prestação do bloquista João Semedo, que criticava o ministro por apresentar indicadores, em vez dos cuidados sobre os quais questionara o governante.

«O senhor está mesmo afetado», disse Paulo Macedo, numa referência à advertência de João Semedo que, antes da sua intervenção, partilhara com os deputados que estava com a voz afetada por razões de saúde.

A afirmação de Paulo Macedo foi seguida de uma resposta do deputado do BE: «O senhor ministro perdeu uma boa oportunidade de estar calado».

Nesta audição, solicitada pelo PCP, os deputados ¿ nomeadamente da oposição ¿ formalizaram dezenas de questões, que passaram pelos efeitos dos cortes no setor, os tempos de espera nas urgências hospitalares, a falta de pessoal nas unidades de saúde, entre muitas outras.

Aos receios da deputada Paula Cruz (PCP) de que o SNS estará a ser desmantelado, Paulo Macedo ironizou: «Eu hei de sair daqui, com o SNS mais consolidado, e a deputada continuará a dizer isto».

A falta de profissionais de saúde foi um dos temas mais aflorados no debate, nomeadamente nos institutos portugueses de oncologia. Sobre esta carência, a deputada Catarina Marcelino (PS) atribuiu a mesma à emigração de profissionais devido à falta de condições de trabalho em Portugal.

«Não baralhe isto tudo, que isto não é baralhável», respondeu Paulo Macedo.

Da parte da equipa governamental , o secretário de Estado e adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa, também recorreu à ironia para comentar o pedido de investigação entregue na Procuradoria Geral da República (PGR) por um grupo de médicos sobre o excesso de mortes no Verão passado, atribuído à onda de calor : «Todos temos direito ao dia do disparate».

Ao longo de quatro horas de debate, com os deputados a interromperem-se frequentemente, foram vários os que optaram por comentários paralelos.

Quando o telemóvel de Fernando Leal da Costa tocou, no início da sua intervenção para responder a várias questões, o deputado David Costa (PCP) aproveitou para dizer: «O Governo também pode desligar e ir embora».

«Falta de berço», comentou a deputada Conceição Bessa Ruão (PSD).