O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, alertou que a eventual reintrodução da pena de morte na Turquia "seria uma decisão trágica que teria consequências imediatas".

"A Turquia tem de pensar muito bem porque reinstalar a pena de morte na Turquia significaria o fim do processo de adesão à União Europeia", disse o chefe da diplomacia portuguesa à Lusa.

Santos Silva, que falava à Lusa por telefone sobre uma visita à Rússia que realizou na segunda-feira, recordou as palavras da chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, que avisou que nenhum país se tornará membro do espaço comunitário se introduzir a pena de morte.

"Toda a gente, e a comissária Mogherini disse-o de uma forma absolutamente inequívoca, que é uma condição de pertença à União Europeia a inexistência da pena de morte", afirmou o governante português.

A possibilidade de reintroduzir a pena de morte foi avançada pelo presidente turco, Recep Erdogan, na sequência de uma falhada tentativa de golpe de Estado e como forma de punir os envolvidos nos acontecimentos de sexta-feira.

Sobre a situação política da Turquia, Santos Silva fez sua a posição dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE: "Condenámos imediatamente e veementemente a tentativa de golpe de Estado e apoiámos as instituições democráticas turcas e apelámos ao regresso, o mais depressa possível, à ordem legal e constitucional.

"Esse apelo continua agora. Temos apelado às autoridades turcas para que atuem em respeito da ordem legal e constitucional".

Questionado sobre a comunidade portuguesa na Turquia, o ministro disse que "não há notícia de que algum português ou alguma portuguesa tenha sido molestado ou vítima de qualquer incidente durante o levantamento e a repressão do levantamento".

Recordou que os portugueses residentes na Turquia "ficaram sobressaltados" com a notícia da tentativa de golpe militar.

"A noite de sexta para sábado foi uma noite branca na embaixada portuguesa na Turquia. Na madrugada seguinte viveram-se momentos difíceis, em particular no aeroporto de Istambul, porque as pessoas tentaram retomar as suas viagens", afirmou o governante.

Santos Silva elogiou ainda o trabalho da embaixada portuguesa em Ancara e do consulado honorário em Istambul durante a crise.

"O apoio do consulado honorário em Istambul foi excelente e o trabalho da embaixada, que acompanhei de perto desde a Mongólia, foi excelente", disse, de acordo com a Lusa.