O ministro dos Assuntos Parlamentares acusou esta sexta-feira a presidente do PSD de ter uma concepção «empobrecida» da democracia ao criticar o primeiro-ministro por estar ausente da cimeira europeia, domingo, em Bruxelas, para encerrar o congresso do PS, refere a Lusa.

«Nem quero acreditar que o primeiro-ministro [José Sócrates] possa pôr uma festa de encerramento do congresso [em Espinho] à frente dos interesses do país», declarou Manuela Ferreira Leite quinta-feira à noite em Braga.

Em reacção a esta posição da líder social-democrata, Augusto Santos Silva contrapôs que aquilo que é «inaceitável é a concepção de democracia empobrecida da drª Manuela Ferreira Leite».

«As suas declarações fazem imediatamente evocar a sua confissão de há meses, segundo a qual talvez fosse melhor o país viver seis meses sem democracia», reagiu o membro do Governo.

Segundo a versão de Augusto Santos Silva, ao contrário do que «aparentemente pretendia a líder do PSD, o primeiro-ministro não irá encerrar uma festa, mas sim participar no congresso do partido de que é secretário-geral».

«Ora, acontecendo que os partidos são pilares da democracia, é o congresso do PS que elege a direcção política e aprova as ideias políticas que o partido irá apresentar aos portugueses», justificou o ministro dos Assuntos Parlamentares.

Ainda de acordo com o ministro dos Assuntos Parlamentares, na cimeira informal do Conselho Europeu, domingo, em Bruxelas, «Portugal estará representado através de um ministro de Estado com a autoridade e um mandato claro para defender as posições do país, fazer valer os interesses nacionais e apresentar as propostas portuguesas aos parceiros europeus».

No entanto, Augusto Santos Silva não especificou qual dos dois ministros de Estado do actual Governo - Teixeira dos Santos (que tem a pasta das Finanças) ou Luís Amado (que tem a pasta dos Negócios Estrangeiros) - irá substituir José Sócrates na cimeira de Bruxelas.